Em 1988, o público brasileiro acompanhou o desenrolar de Vale Tudo, novela escrita por Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères, que se tornou um dos maiores marcos da teledramaturgia nacional. Entre os personagens principais, um nome secundário, mas marcante, chamou atenção: Aldeíde, interpretada à época por Lilia Cabral. Ela representava a figura da mulher solidária, sempre disponível para ajudar vizinhos e colegas, mas que acabou se envolvendo em situações que mudaram seu destino.
Na versão original, Aldeíde abandona a vida de secretária e se casa com Laudelino, papel de Ivan de Albuquerque. A união a leva a uma transformação profunda. Após a morte do marido, ela retorna ao Brasil com riqueza acumulada e um novo estilo de vida, marcando uma virada em sua trajetória. Sua presença no núcleo central ganha peso, ainda que de forma indireta, quando se envolve com André, vivido por Marcello Novaes.

O romance com André, sobrinho de sua amiga Consuelo, se desenrola até o último capítulo. O público de 1988 assistiu a uma Aldeíde realizada emocionalmente, em cenas de intimidade e cumplicidade, retratando um final que, embora simples, oferecia um fechamento otimista. Esse desfecho consolidou a personagem como exemplo de que coadjuvantes também poderiam conquistar espaço na memória dos espectadores.
No entanto, em 2025, a trama retorna às telas com nova roupagem. Agora sob responsabilidade da autora Manuela Dias, o remake de Vale Tudo não se limita a repetir fórmulas passadas. A personagem ganha o rosto da atriz Karine Teles e, apesar de manter a essência de mulher generosa e atenciosa, pode trilhar caminhos inéditos. A autora já sinalizou que o público não deve esperar cópias, mas sim releituras ajustadas ao contexto social atual.
Em entrevista ao podcast GiMi, apresentado pelas gêmeas Giselle e Michelle Batista, Karine Teles reforçou essa visão. Ela destacou que a nova versão busca reinterpretar personagens à luz do presente, com novas perspectivas, tecnologias e valores morais. Para a atriz, refazer a novela sem alterar destinos seria ignorar as mudanças culturais e sociais das últimas décadas.
Isso abre espaço para especulações sobre Aldeíde. Se em 1988 ela se manteve afastada das intrigas centrais, no remake pode ser que seu destino esteja mais diretamente ligado ao enredo principal. Um ponto de curiosidade é a possibilidade de a personagem ter envolvimento em mistérios clássicos da trama, como o assassinato de Odete Roitman. No original, essa hipótese foi descartada, mas a versão atual não descarta uma reviravolta.
Entre tradição e inovação, Aldeíde se torna símbolo de como o remake de Vale Tudo pode explorar novas dimensões narrativas. O público, dividido entre nostalgia e expectativa, acompanha atentamente o rumo dessa personagem que, mesmo não sendo protagonista, carrega a força de representar mudanças sociais no Brasil e na teledramaturgia.
Fonte: CNN.
