Trump impõe tarifa de 100% para filmes produzidos fora dos EUA e desafia indústria global

Num anúncio feito pela Truth Social, Donald Trump impôs tarifa de 100% a filmes gravados fora dos EUA, incluindo produções de estúdios americanos no exterior. Ele alega que os incentivos oferecidos por outros países representam ameaça à segurança nacional e afetam Hollywood. A decisão provocou queda em ações como Netflix e Disney e ainda não há clareza se o streaming será incluído. Especialistas alertam para o risco de retaliações comerciais imediatas.
Publicado por Maria Eduarda Peres em Entretenimento dia 5/05/2025

Donald Trump voltou a movimentar o tabuleiro do comércio internacional com uma decisão que colocou o setor audiovisual no centro de sua estratégia econômica. No último domingo, 4 de maio, o presidente dos Estados Unidos anunciou a implementação imediata de uma tarifa de 100% sobre todos os filmes produzidos fora do território norte-americano. A medida vale tanto para produções totalmente estrangeiras quanto para filmes de produtoras americanas rodados em outros países.

Pontos Principais:

  • Trump impôs tarifa de 100% a filmes produzidos fora dos EUA.
  • A medida abrange produções estrangeiras e gravações de estúdios americanos no exterior.
  • Mercado reagiu negativamente e ações como Netflix e Disney recuaram.
  • Ainda não está claro se a tarifa afetará o conteúdo de streaming.
Donald Trump decretou tarifa de 100% para filmes produzidos fora dos EUA. A medida atinge desde obras totalmente estrangeiras até produções americanas gravadas no exterior - imagem instagram / @realdonalfdtrump
Donald Trump decretou tarifa de 100% para filmes produzidos fora dos EUA. A medida atinge desde obras totalmente estrangeiras até produções americanas gravadas no exterior – imagem instagram / @realdonalfdtrump

A declaração foi feita por meio da Truth Social, plataforma usada com frequência por Trump para comunicar suas políticas. Segundo o presidente, a fuga de filmagens para fora dos Estados Unidos representa uma ameaça à segurança nacional e estaria prejudicando diretamente a indústria cinematográfica americana. O governo americano afirmou que a decisão visa reverter a redução da atividade em Hollywood e demais polos de produção.

Essa nova política tarifária surge em meio a um contexto de competição global por produções audiovisuais. Diversos países vêm oferecendo incentivos fiscais agressivos para atrair gravações, como Canadá, Reino Unido, Austrália e nações da Europa Central. As consequências da decisão já começaram a ser sentidas no mercado financeiro e nas avaliações de especialistas do setor.

Alcance e aplicação da tarifa

A nova tarifa de 100% incide sobre filmes produzidos fora dos Estados Unidos e que são importados para distribuição no país. A abrangência inclui obras criadas integralmente por estúdios estrangeiros e também produções americanas gravadas em solo estrangeiro. O Departamento de Comércio e o Representante de Comércio dos EUA foram acionados para iniciar o processo de regulamentação e cobrança da tarifa.

Ainda não foi definido se a tarifa será aplicada com base nos custos de produção, nas receitas de bilheteria ou em outro critério. Também não está claro se a medida alcançará conteúdos exibidos exclusivamente por plataformas de streaming, como Netflix e Amazon Prime Video. A falta de precisão nos termos iniciais da política deixa estúdios, distribuidores e plataformas em estado de alerta.

Representantes da indústria cinematográfica ainda analisam as possíveis consequências práticas da medida. Até o momento, a Motion Picture Association não divulgou nota oficial. Há expectativa de que o setor pressione o governo por esclarecimentos técnicos, isenções e possíveis alternativas de adaptação.

Impacto no setor audiovisual

A medida ocorre em um momento de desaceleração da atividade cinematográfica nos Estados Unidos. Dados da organização FilmLA indicam que a cidade de Los Angeles, tradicional centro de produção, registrou queda de quase 40% em filmagens nos últimos dez anos. O movimento de internacionalização das gravações tem sido motivado por pacotes de incentivos, reembolsos em dinheiro e facilidades logísticas oferecidas por outros países.

Segundo estimativa da Ampere Analysis, os investimentos globais em produção audiovisual devem ultrapassar US$ 248 bilhões em 2025. Já a consultoria ProdPro aponta que cerca de metade dos projetos com orçamento superior a US$ 40 milhões em 2023 foi realizada fora dos Estados Unidos. Esses números indicam uma tendência consolidada de descentralização da produção cinematográfica.

A reação de Trump vem como uma tentativa de conter esse processo. O presidente argumenta que, além dos impactos econômicos, há um risco simbólico e político no deslocamento das produções. Ele classifica esse movimento como parte de uma disputa narrativa internacional, sugerindo que os filmes têm papel relevante na construção da imagem dos Estados Unidos.

Reação dos mercados e do governo

O anúncio gerou movimentações imediatas no mercado financeiro. Ações de empresas do setor de mídia e entretenimento apresentaram queda no pré-mercado nesta segunda-feira. A Netflix recuou 4,55%, a Lionsgate caiu 8,5%, enquanto a Warner Bros. Discovery teve desvalorização de 2,6%. Disney, AMC e IMAX também registraram perdas.

O secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, se pronunciou por meio da rede X afirmando que o governo está conduzindo o processo de implementação da medida. Até o momento, não foram apresentadas projeções de arrecadação ou relatórios de impacto econômico detalhados.

Especialistas alertam que a nova política pode desencadear retaliações comerciais. William Reinsch, ex-dirigente do Departamento de Comércio e atual integrante do Center for Strategic and International Studies, afirmou que os Estados Unidos podem sofrer perdas significativas caso outros países decidam responder com tarifas sobre produtos culturais americanos.

Incertezas e próximos passos

O escopo completo da medida ainda está em construção. Além da indefinição sobre como a tarifa será calculada, há dúvidas sobre os mecanismos de fiscalização e as possíveis exceções. Filmes parcialmente rodados no exterior, coproduções internacionais e conteúdos produzidos por plataformas digitais entram na zona cinzenta da política.

A ausência de detalhes técnicos pode dificultar a aplicação imediata e gerar insegurança jurídica para estúdios e distribuidores. O governo sinalizou que novas regulamentações devem ser publicadas nos próximos dias para esclarecer os critérios.

Enquanto isso, empresas e organizações do setor analisam caminhos legais para contestar ou mitigar os efeitos da nova tarifa. O histórico recente de medidas protecionistas do governo Trump sugere que outras áreas da indústria do entretenimento e da cultura podem ser afetadas em ações futuras.

Fonte: Poder360, CNN, InfoMoney e UOL.