O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a mobilizar o setor cultural internacional ao anunciar a intenção de aplicar tarifas de 100% sobre filmes produzidos em outros países. A medida, ainda em fase de análise, foi justificada por ele como uma forma de proteger uma indústria que, segundo suas palavras, estaria “morrendo rapidamente”. A declaração foi feita por meio da rede Truth Social e logo repercutiu entre estúdios, sindicatos e governos estrangeiros.
Pontos Principais:
Hollywood realmente passa por um momento delicado. Após os impactos da pandemia, que paralisou as filmagens por meses, os estúdios enfrentaram uma nova onda de dificuldades com as greves de atores e roteiristas em 2023. Em seguida, incêndios florestais e a crescente migração do público para plataformas digitais agravaram ainda mais o cenário. Apesar de uma recuperação de 15,8% na bilheteria doméstica em 2025, o setor ainda opera com restrições.

A proposta de Trump levanta questionamentos sobre o que seria classificado como “filme estrangeiro”. Muitos blockbusters americanos são gravados em outros países por motivos de economia, cenário ou incentivos fiscais, como é o caso de “Deadpool & Wolverine”, “Gladiador II” e “Wicked”. Não está claro se essas produções também seriam tarifadas ou se a medida se aplicaria apenas a filmes de estúdios estrangeiros.
Governos como o do Reino Unido, Austrália e Nova Zelândia já demonstraram preocupação. No Reino Unido, onde produções como “Barbie” foram filmadas, parlamentares alertam que a medida pode comprometer milhares de empregos e afastar investimentos americanos. Sindicatos como o Bectu dizem que a recuperação da indústria ainda é frágil e que essa política pode desencadear uma nova onda de perdas no setor.
Outra questão incerta é se as tarifas atingiriam também o conteúdo feito para streaming, como produções da Netflix e Amazon. A moratória da Organização Mundial do Comércio sobre tarifas digitais, válida até 2026, pode entrar em conflito com a proposta americana, tornando a aplicação legalmente complexa. Especialistas questionam se o presidente teria, de fato, autoridade para impor tais medidas sem o Congresso.
Estados americanos como Geórgia e Illinois têm atraído produções que antes ficavam concentradas na Califórnia. O governador Gavin Newsom tenta ampliar os incentivos locais para manter a competitividade, enquanto Trump o acusa de incompetência. Esse embate interno evidencia uma disputa mais ampla entre federalismo e interesses estaduais no contexto da economia criativa americana.
Para a indústria global, o risco de retaliação comercial preocupa. Tarifas similares em outros países podem afetar o lucro de filmes americanos no exterior, comprometendo sua viabilidade financeira. Há ainda o receio de que, ao encarecer as produções internacionais, projetos sejam simplesmente cancelados ou adiados, com impacto direto sobre empregos criativos e técnicos em várias nações.
