Sonhar é um fenômeno comum e inevitável. Todas as noites, mesmo sem perceber, a mente cria sequências de imagens, sons e situações. É um processo interno que ocorre enquanto o corpo permanece em repouso e o cérebro segue ativo, organizando memórias e processando emoções.
Pontos Principais:
Enquanto a vigília é controlada por lógica e senso crítico, o sonho foge dessas regras. Durante o sono, as imagens não precisam obedecer às leis da física ou da realidade. Dinossauros, pessoas já falecidas ou acontecimentos improváveis podem se combinar em uma mesma narrativa. Esse mecanismo é possível graças à atividade intensa do cérebro durante determinadas fases do sono.
Entender os sonhos passa por compreender o sono. Os ciclos noturnos alternam entre diferentes estágios e cada um deles desempenha um papel específico para a saúde mental e física. Ao longo da noite, a mente transita entre períodos de baixa atividade e momentos de grande agitação neural, permitindo experiências oníricas variadas.
O sono humano é dividido em duas fases principais: NREM e REM. NREM significa movimento não rápido dos olhos. Já REM é a sigla para movimento rápido dos olhos, do inglês Rapid Eye Movement. Essas duas fases se alternam a cada ciclo, com duração aproximada entre 90 e 120 minutos cada.
O estágio NREM ocupa a maior parte do tempo e é caracterizado por diminuição da frequência cardíaca, relaxamento muscular e sono profundo. É durante o NREM que o corpo se recupera fisicamente. Nessa fase também é possível sonhar, mas as narrativas tendem a ser mais próximas da realidade e menos intensas.
O estágio REM é mais curto, mas apresenta alta atividade cerebral. Os olhos se movem rapidamente por baixo das pálpebras, a respiração se torna irregular e os sonhos ganham criatividade e intensidade. O córtex pré-frontal, responsável pelo senso crítico, permanece inativo, o que explica a aceitação das situações absurdas presentes nos sonhos.
Os sonhos podem ser formados por memórias recentes, experiências marcantes, medos ou desejos inconscientes. É comum sonhar com situações cotidianas, como escola ou trabalho, ou reviver momentos específicos da infância. Traumas e preocupações também costumam surgir em forma de pesadelos.
Em contrapartida, existem sonhos completamente aleatórios, que misturam elementos sem lógica aparente. Esse tipo de narrativa pode refletir a falta de controle do senso crítico durante o sono REM. O cérebro combina estímulos de forma inesperada, criando histórias únicas.
Além de humanos, outros animais também sonham. Pesquisas mostram que aranhas apresentam movimentos rítmicos durante o descanso, semelhantes ao REM. Ratos parecem reviver os labirintos percorridos ao longo do dia. Cães se movem como se estivessem correndo ou brincando. Essas evidências indicam que sonhar é um processo biológico comum entre espécies.

Os sonhos lúcidos são aqueles em que a pessoa percebe que está sonhando e consegue interagir conscientemente com os acontecimentos. Para algumas pessoas, isso ocorre espontaneamente. Outras recorrem a métodos para induzir essa percepção.
O pesquisador Stephen LaBerge desenvolveu técnicas e dispositivos para ajudar indivíduos a reconhecerem sinais do sonho. Uma de suas criações foi uma máscara capaz de emitir luzes durante o sono, perceptíveis nos sonhos como um alerta. Ao perceber o sinal, o indivíduo se dá conta de que está sonhando.
Entre as técnicas mais comuns está o teste de realidade. A pessoa cria o hábito de, ao longo do dia, questionar se está sonhando e observar se há algo estranho no ambiente. Quando essa prática se transfere para o sono, ela permite o reconhecimento do estado onírico e abre a possibilidade de controlar ações e decisões.
Há registros históricos de sonhos considerados premonitórios, como o de Calpúrnia, esposa de Júlio César, que relatou um sonho sobre sua morte na véspera do assassinato. Ao longo da história, os sonhos também foram interpretados como mensagens divinas, presságios ou diagnósticos médicos.
Para Freud, os sonhos representavam desejos reprimidos e conteúdos inconscientes. Para Jung, eram mecanismos para equilibrar a mente e integrar experiências do dia a dia. Hoje, a ciência entende os sonhos como resultado da atividade cerebral, processamento de memórias e reorganização emocional.
Alguns detalhes sobre os sonhos chamam a atenção. Pessoas cegas também sonham, embora seus sonhos se baseiem em percepções táteis, sonoras e olfativas. Bebês ainda no útero já apresentam sinais de sono REM. Algumas pessoas, especialmente as mais velhas, sonham em preto e branco, possivelmente por influência de hábitos visuais do passado.
Os sonhos também servem como fonte de inspiração para obras culturais. O diretor James Cameron afirmou ter sonhado com uma cena que o levou a criar O Exterminador do Futuro. Mary Shelley teve a ideia de Frankenstein durante um sonho. Paul McCartney contou que a melodia de Yesterday surgiu enquanto dormia.
Esses exemplos mostram que o cérebro continua ativo durante a noite, combinando memórias, ideias e sensações de forma imprevisível. Mesmo sem consciência plena, a mente trabalha para organizar informações e criar novas conexões.
A ciência ainda não explica todos os detalhes dos sonhos, mas confirma que eles são parte fundamental da experiência humana. Enquanto o corpo descansa, o cérebro transforma lembranças, sentimentos e estímulos em histórias únicas.