Pressão ideal após os 70 anos: novas diretrizes apontam limites mais seguros para idosos frágeis

A pressão ideal para quem tem mais de 70 anos já não é mais 12 por 8. Especialistas revisaram as diretrizes, permitindo níveis levemente mais altos para idosos frágeis e mantendo metas individualizadas conforme a saúde geral. O tratamento deve equilibrar riscos cardiovasculares e qualidade de vida, priorizando mudanças no estilo de vida antes dos medicamentos. Acompanhar regularmente é fundamental para evitar complicações.
Publicado por Maria Eduarda Peres em Onde Assistir dia 11/07/2025

A pressão arterial é um dos temas centrais na saúde pública da população idosa. Nos últimos anos, estudos e diretrizes internacionais revisaram os números considerados ideais para pessoas acima dos 70 anos. Essas mudanças refletem não apenas a evolução do conhecimento médico, mas também a necessidade de atender às características específicas de cada paciente nessa faixa etária.

Pontos Principais:

  • Diretrizes revisam pressão ideal para idosos acima dos 70 anos.
  • Valores entre 130/80 e 140/90 mmHg são considerados aceitáveis.
  • Tratamentos devem priorizar hábitos saudáveis antes de medicamentos.
  • Monitoramento contínuo ajuda a ajustar metas individualizadas.

Os números tradicionais, como o conhecido 12 por 8, foram amplamente utilizados como referência para todas as idades por décadas. Entretanto, as novas pesquisas mostram que metas mais flexíveis podem ser mais seguras para quem já apresenta maior fragilidade, além de melhorarem o equilíbrio entre risco cardiovascular e qualidade de vida. As sociedades médica e científica passaram a discutir a pressão arterial sob uma perspectiva mais personalizada.

Especialistas revisam os números ideais de pressão para idosos acima de 70, destacando a importância de metas seguras e personalizadas para cada paciente.
Especialistas revisam os números ideais de pressão para idosos acima de 70, destacando a importância de metas seguras e personalizadas para cada paciente.

Com o envelhecimento da população global e brasileira, manter o controle adequado da pressão tornou-se ainda mais relevante. Condições como infarto, AVC e insuficiência renal continuam sendo as principais causas de morbidade entre idosos, e a forma como os médicos ajustam o tratamento pode influenciar diretamente nos desfechos desses pacientes.

Pressão arterial ideal para idosos

As diretrizes recentes da Sociedade Brasileira de Cardiologia e da Sociedade Europeia de Cardiologia redefiniram os parâmetros para pessoas com mais de 70 anos. Para idosos saudáveis e ativos, recomenda-se que a pressão se mantenha próxima a 120/80 mmHg. Já para a maioria, um valor entre 130/80 mmHg e 140/90 mmHg é considerado aceitável.

Em idosos frágeis ou com múltiplas doenças crônicas, valores mais elevados ainda podem ser tolerados. A pressão ideal deve ser definida caso a caso, evitando quedas bruscas que podem causar tontura, síncope e maior risco de fraturas. Especialistas destacam que metas agressivas, abaixo de 120/70 mmHg, só devem ser perseguidas se bem toleradas.

Os números apontam para uma tendência de ajuste individualizado, considerando tanto os benefícios quanto os riscos potenciais de tratamentos mais intensivos.

Por que os números mudaram

Pesquisas de longo prazo revelaram que metas rígidas, aplicadas igualmente a todas as idades, não levavam em conta as mudanças fisiológicas naturais do envelhecimento. Entre essas mudanças estão a rigidez arterial e a menor capacidade de adaptação do sistema cardiovascular.

Em pessoas mais velhas, o uso intensivo de medicamentos hipotensores foi associado a aumento do risco de mortalidade e declínio cognitivo. Ensaios clínicos evidenciaram que idosos frágeis, tratados para manter valores abaixo de 120/80 mmHg, apresentaram mais efeitos adversos que benefícios.

O conceito atual defende que os riscos de hipertensão são relevantes, mas que os riscos de hipotensão medicamentosa também precisam ser controlados. O equilíbrio é o foco das orientações mais recentes.

Quando iniciar tratamento em idosos

As novas diretrizes mostram que valores levemente mais altos podem ser aceitáveis, dependendo do estado geral de saúde e da tolerância ao tratamento medicamentoso.
As novas diretrizes mostram que valores levemente mais altos podem ser aceitáveis, dependendo do estado geral de saúde e da tolerância ao tratamento medicamentoso.

Os especialistas concordam que o início do tratamento deve ocorrer quando a pressão sistólica ultrapassa 140 mmHg ou quando a diastólica ultrapassa 90 mmHg. Antes disso, recomenda-se priorizar mudanças no estilo de vida durante seis a doze meses.

Caso os ajustes alimentares e de atividade física não tragam resultados, os médicos podem optar pelo uso de medicamentos, sempre monitorando a resposta e tolerância do paciente. Para idosos frágeis, as metas devem ser ainda mais cautelosas, evitando sintomas de hipotensão postural ou quedas.

Em pacientes com histórico de quedas, doenças renais ou declínio cognitivo, os médicos costumam trabalhar com metas menos agressivas para evitar complicações adicionais.

Fatores que influenciam a pressão em idosos

Vários fatores impactam os níveis de pressão arterial na terceira idade. Entre eles, a rigidez natural das artérias com a idade e doenças como diabetes e insuficiência renal. Hábitos alimentares ricos em sal, sedentarismo, obesidade e estresse prolongado são agravantes comuns.

Por outro lado, dietas equilibradas e rotinas ativas podem ajudar a manter a pressão arterial sob controle mesmo após os 70 anos. Em regiões e populações com menor consumo de sódio e maior prática de atividades físicas, os casos de hipertensão são menos frequentes.

A avaliação médica deve considerar esses fatores para propor um tratamento adequado a cada realidade individual.

Como manter a pressão controlada

O objetivo agora é equilibrar os riscos cardiovasculares com a qualidade de vida, evitando quedas, confusão mental e outros efeitos adversos do tratamento excessivo.
O objetivo agora é equilibrar os riscos cardiovasculares com a qualidade de vida, evitando quedas, confusão mental e outros efeitos adversos do tratamento excessivo.

A pressão pode ser controlada com mudanças no estilo de vida e, quando necessário, medicamentos. Entre as orientações mais frequentes estão:

  • Reduzir o consumo de sal e produtos ultraprocessados
  • Aumentar a ingestão de frutas, verduras, fibras e alimentos ricos em potássio
  • Manter atividades físicas leves, como caminhada ou hidroginástica
  • Evitar tabagismo e consumo excessivo de álcool
  • Realizar medições regulares e seguir as orientações médicas

Essas estratégias contribuem para um envelhecimento mais seguro, com menor risco de complicações cardiovasculares graves.

Monitoramento contínuo

Aferir a pressão arterial regularmente é parte essencial do cuidado. Os aparelhos domésticos ajudam a monitorar as duas medidas: a sistólica, que reflete a contração cardíaca, e a diastólica, que representa o repouso do coração.

Valores persistentemente baixos ou flutuantes também são sinais de que o corpo pode não estar tolerando bem o tratamento. Por isso, consultas regulares são fundamentais para ajustar metas e estratégias terapêuticas ao longo do tempo.

Mesmo sem cura definitiva para a hipertensão, os tratamentos disponíveis permitem manter a doença sob controle e prevenir os principais eventos adversos associados.

Considerações finais

As recomendações atuais destacam que o controle da pressão arterial em idosos deve ser feito de maneira individualizada. As metas ideais variam conforme o estado de saúde geral e as características clínicas de cada paciente. O objetivo é reduzir riscos cardiovasculares sem comprometer a qualidade de vida e a autonomia funcional.

O monitoramento contínuo e o diálogo com o médico ajudam a definir as melhores estratégias para cada caso. A pressão ideal não é a mesma para todos, mas os cuidados básicos são essenciais para todos os perfis.

Fonte: Em, Fdr, Em, Atribuna, Metropoles, Em, Terra e UOL.