Por que gatos derrubam objetos? Entenda os motivos que vão do instinto ao tédio

O que leva um gato a empurrar objetos até que eles caiam no chão? A resposta envolve muito mais do que simples travessura. O hábito está ligado ao instinto caçador, ao tédio, à necessidade de atenção e à rotina do animal. Especialistas explicam como o comportamento se forma e o que os tutores podem fazer para evitar que isso se repita. Ignorar os "nãos", enriquecer o ambiente e estabelecer horários são parte da solução.
Publicado por Maria Eduarda Peres em Onde Assistir dia 26/06/2025

Um gato em casa tem o poder de mudar a rotina. Quem convive com felinos já presenciou o momento em que o animal sobe em uma superfície, encara um objeto e, em poucos segundos, o empurra até o chão. Em vez de um ato impulsivo, essa ação tem origem em comportamentos naturais e padrões de convivência com os humanos.

Pontos Principais:

  • Gatos derrubam objetos como reflexo do instinto de caça.
  • A falta de estímulos pode levar o animal a buscar distrações inadequadas.
  • O comportamento também pode ser uma tentativa de chamar atenção do tutor.
  • Especialistas recomendam enriquecer o ambiente e estabelecer rotina com brincadeiras.

A repetição do comportamento não é acidental. Gatos têm histórico evolutivo marcado por hábitos de caça e exploração. Empurrar objetos, nesse contexto, pode ser uma forma de simular a movimentação de uma presa. O objeto está parado, o gato interage com a pata, observa a reação. Quando cai, produz som, se desloca ou desperta atenção.

Gatos derrubam objetos como parte de um comportamento natural. O ato de empurrar itens com a pata está ligado ao instinto de caça e à curiosidade da espécie em ambientes domésticos.
Gatos derrubam objetos como parte de um comportamento natural. O ato de empurrar itens com a pata está ligado ao instinto de caça e à curiosidade da espécie em ambientes domésticos.

Dentro do ambiente doméstico, o comportamento ganha novos significados. Além de manter o instinto em atividade, o gato percebe a reação dos humanos como parte da experiência. O tutor que se levanta para repreender ou impedir, mesmo sem querer, reforça o comportamento. A atenção oferecida após a queda do objeto torna-se uma resposta válida para o animal.

Instinto e simulação de caça

A origem do hábito está relacionada ao comportamento predatório. Mesmo sem a necessidade de caçar para se alimentar, os gatos domésticos mantêm a prática de explorar objetos e superfícies como parte do repertório natural. Empurrar é uma forma de investigar, provocar uma reação e avaliar a resposta.

O movimento da pata, lento e controlado, reproduz o gesto usado para testar presas. Objetos pequenos e arredondados são alvos preferenciais. Ao cair, eles podem rolar ou emitir sons, o que reforça o comportamento do gato. A ação também serve para manter o animal alerta e em atividade.

Esse tipo de atitude pode ocorrer independentemente do tempo de convivência com humanos. Mesmo gatos que vivem em ambientes internos há anos continuam demonstrando padrões típicos da espécie. O comportamento não desaparece com a domesticação, apenas se adapta ao novo contexto.

Tédio e ausência de estímulo

Ambientes com poucos recursos ou brinquedos podem contribuir para a repetição do comportamento. Sem estímulos suficientes, o gato busca alternativas para se distrair. Objetos deixados sobre móveis ou bancadas se transformam em alvo. O comportamento surge como resultado da necessidade de preencher o tempo.

Brinquedos específicos, locais para escalar e interações regulares com o tutor ajudam a reduzir episódios como esse. A falta de enriquecimento ambiental pode levar a comportamentos repetitivos, incluindo arranhar móveis, vocalizar de forma excessiva ou derrubar objetos com frequência.

Gatos exploram o ambiente por necessidade. A ausência de novidades visuais, sonoras ou táteis amplia a busca por alternativas. A interação com objetos se intensifica quando não há outras formas de estimulação cognitiva. É um comportamento funcional que se intensifica diante da ausência de desafios.

Busca por atenção do tutor

Além do instinto e do tédio, a repetição pode estar relacionada à tentativa de obter atenção. O gato derruba algo, o tutor reage, e a ação é reforçada. Mesmo a repreensão, para o animal, significa interação. Isso se torna uma estratégia para romper o silêncio ou a solidão percebida.

O contato visual durante o ato é um indicativo. Em muitos casos, o gato empurra o objeto enquanto observa a reação do tutor. Essa dinâmica se repete especialmente quando o animal está entediado ou frustrado. A atenção recebida, mesmo que breve, valida a ação.

A orientação é não reforçar esse tipo de comportamento. Ignorar a ação e redirecionar a energia para brinquedos ou atividades planejadas é mais eficaz. Recompensar atitudes positivas, como brincar com um objeto apropriado, é uma alternativa mais funcional para moldar o comportamento.

Rotina e previsibilidade

A construção de uma rotina clara ajuda a reduzir comportamentos inadequados. Horários definidos para alimentação, descanso e brincadeira proporcionam segurança e previsibilidade. Gatos respondem bem a esse tipo de estrutura, o que reduz episódios de frustração.

Atividades planejadas duas vezes ao dia, com duração de 10 a 20 minutos, são suficientes para manter o gato engajado. Varinhas, brinquedos recheados com petiscos e espaços para escalada são exemplos práticos de enriquecimento. A diversidade de estímulos contribui para reduzir a necessidade de explorar objetos impróprios.

A previsibilidade também diminui a ansiedade. Gatos que compreendem a rotina tendem a agir com mais estabilidade. O comportamento de derrubar objetos pode desaparecer com a repetição de interações saudáveis. É uma questão de adaptação e observação por parte dos tutores.

Interação e linguagem não verbal

Gatos não compreendem a linguagem humana da mesma forma que cães. A tentativa de repreender verbalmente o animal raramente surte efeito. A comunicação entre tutor e felino se baseia em gestos, padrões e reações. Isso exige atenção aos sinais e respostas não verbais.

A orientação de especialistas é clara. Repreensões verbais devem ser evitadas. O foco deve estar no reforço positivo e no redirecionamento de energia. Identificar os momentos em que o comportamento se repete permite antecipar a ação e substituí-la por algo mais construtivo.

A comunicação entre tutor e gato precisa ser adaptada. Compreender que o comportamento é funcional e natural da espécie é o primeiro passo. A partir disso, é possível ajustar o ambiente, a rotina e a relação para que ambos convivam de forma equilibrada.

Fonte: Entretenimento, Petindica e Blog.