Por que as alergias estão aumentando? Hipótese da higiene, genética e microbiota em foco

Você já se perguntou por que tantas pessoas têm alergias hoje? O vídeo explora como a urbanização, a genética e a microbiota contribuem para o aumento dos casos. A hipótese da higiene sugere que ambientes muito limpos entediam o sistema imunológico, gerando reações exageradas. Mas há também fatores hereditários, poluição e mudanças climáticas influenciando. Compreenda os mecanismos por trás desse fenômeno crescente.
Publicado por Maria Eduarda Peres em Onde Assistir dia 8/07/2025

O número de pessoas diagnosticadas com algum tipo de alergia cresce ano após ano em diversas partes do mundo. Estimativas apontam que mais de 2 bilhões de pessoas já convivem com alergias de diferentes naturezas, e a tendência é que esse número siga aumentando nas próximas décadas. Projeções da Organização Mundial da Saúde indicam que até 2050 metade da população global poderá ser afetada por algum quadro alérgico, seja leve ou grave.

Pontos Principais:

  • O número de pessoas com alergias cresce e pode atingir metade da população até 2050.
  • Hipótese da higiene sugere que ambientes excessivamente limpos deseducam o sistema imunológico.
  • A microbiota saudável ajuda o organismo a tolerar substâncias inofensivas e prevenir reações exageradas.
  • Fatores genéticos, poluição, mudanças climáticas e diagnósticos mais frequentes também contribuem para o aumento.

Esse avanço constante gera debates sobre quais fatores estariam influenciando esse crescimento. Diversas hipóteses científicas surgiram para explicar por que reações imunológicas a substâncias inofensivas se tornaram tão frequentes na sociedade moderna. Entre elas está a chamada hipótese da higiene, amplamente discutida nas últimas décadas, mas ainda não considerada uma explicação definitiva.

Além de fatores ambientais, outros elementos como predisposição genética, mudanças climáticas, poluição atmosférica e características da microbiota humana também aparecem entre os fatores associados. Juntos, eles ajudam a compor o cenário atual das alergias e os desafios para preveni-las ou controlá-las de forma eficaz.

O que é uma alergia

A alergia é caracterizada por uma reação do sistema imunológico a substâncias que, em condições normais, não representam perigo ao organismo. Essas substâncias são chamadas de alérgenos e podem estar presentes no ar, em alimentos, em medicamentos ou em superfícies.

Quando uma pessoa alérgica entra em contato com o alérgeno, seu corpo interpreta essa substância como uma ameaça e reage liberando histamina, entre outras substâncias químicas. Essa liberação é responsável por sintomas que variam desde vermelhidão e coceira até falta de ar e choque anafilático em casos mais severos.

A resposta imunológica desproporcional não depende da toxicidade do alérgeno. Um alimento não contaminado, por exemplo, pode desencadear sintomas graves em quem tem alergia alimentar. No caso de alergias respiratórias, o pólen ou a poeira doméstica também podem provocar reações.

A hipótese da higiene

A hipótese da higiene foi proposta em 1989 pelo médico inglês David Strachan. Segundo sua teoria, o aumento da urbanização, industrialização e medidas de higiene modernas reduziram a exposição das crianças a micro-organismos desde cedo, fazendo com que o sistema imune não fosse devidamente educado a distinguir ameaças reais de substâncias inofensivas.

Em seus estudos, Strachan observou que crianças de famílias numerosas, com irmãos mais velhos, apresentavam menos rinite alérgica. A convivência com os irmãos mais velhos proporcionava contato precoce com infecções leves, ajudando a treinar o sistema imunológico para respostas mais equilibradas.

Outras pesquisas reforçaram a ideia ao mostrar que crianças criadas em áreas rurais, com maior contato com animais e sujeira, tinham menor incidência de alergias em comparação às que cresciam em cidades, em ambientes altamente higienizados. Essa hipótese sugere que respostas imunes do tipo 1, estimuladas por infecções, poderiam reduzir a prevalência de respostas do tipo 2, associadas a alergias.

O papel da microbiota

As alergias aumentaram nas últimas décadas e já afetam mais de 2 bilhões de pessoas no mundo. Até 2050, metade da população global poderá apresentar algum tipo de alergia.
As alergias aumentaram nas últimas décadas e já afetam mais de 2 bilhões de pessoas no mundo. Até 2050, metade da população global poderá apresentar algum tipo de alergia.

A microbiota, conjunto de micro-organismos que vivem na pele, no intestino, na boca e em outras regiões do corpo humano, também está ligada à regulação do sistema imunológico. Essa comunidade ajuda a treinar as células do sistema imune para serem tolerantes e não reagirem exageradamente a estímulos externos inofensivos.

A interação entre microbiota e imunidade tem início logo no nascimento e continua ao longo da vida. Práticas como aleitamento materno, parto vaginal e alimentação variada favorecem o desenvolvimento de uma microbiota diversificada e saudável.

Quando a microbiota é prejudicada, seja por uso excessivo de antibióticos, dietas pobres em fibras ou ambientes excessivamente estéreis, o sistema imune perde essa convivência constante com micro-organismos e passa a reagir de maneira inadequada a pequenas exposições.

Genética e fatores ambientais

A predisposição genética para alergias é amplamente documentada e observada em famílias. É comum encontrar pais e filhos com histórico de rinite alérgica, asma ou dermatite atópica, muitas vezes em intensidades diferentes entre os indivíduos.

A herança genética não é isolada. Ela se combina a fatores ambientais contemporâneos como poluição do ar, mudanças climáticas, temperaturas extremas, queimadas e baixa umidade. Esses elementos não apenas aumentam a chance de desencadear alergias como também agravam quadros já existentes.

Outro aspecto levantado por especialistas é o chamado superdiagnóstico. O aumento da conscientização sobre alergias e o acesso mais fácil a diagnósticos levaram a uma maior identificação de casos. No entanto, nem todos os diagnósticos refletem um quadro clínico de alergia genuíno, especialmente em relação a alergias alimentares.

Como reduzir riscos

Embora não exista uma fórmula para eliminar completamente o risco de desenvolver alergias, alguns hábitos podem ajudar a reduzir a probabilidade ou a intensidade das reações.

  • Estimular o parto normal sempre que possível
  • Manter o aleitamento materno exclusivo até os seis meses
  • Promover alimentação equilibrada e rica em fibras
  • Garantir contato moderado com ambientes externos e animais
  • Evitar exposição desnecessária a poluentes atmosféricos

Além disso, é importante manter a higiene básica para prevenir doenças infecciosas, sem exagerar em práticas que eliminam completamente o contato com micro-organismos do cotidiano.

Considerações finais

Os casos de alergia estão aumentando globalmente, mas não existe um único fator responsável. A hipótese da higiene ajuda a explicar parte do fenômeno, mas outros elementos como predisposição genética, composição da microbiota, poluição e mudanças ambientais também têm impacto relevante.

A compreensão mais ampla desses mecanismos é fundamental para definir políticas públicas de saúde e orientar famílias na adoção de hábitos que contribuam para o desenvolvimento saudável do sistema imunológico.

Brincar ao ar livre, conviver com animais e adotar práticas alimentares adequadas são estratégias que podem ser implementadas desde cedo para ajudar a reduzir a incidência de alergias, sem abrir mão de medidas básicas de higiene.

Fonte: Saude, Saude, Jornal, Saude e Northdownload.