buscar
Negócios

Pesquisa revela que favelas crescem demograficamente e movimentam mais de R$ 200 bilhões

De acordo com a divulgação da pesquisa Data Favela 2023 nesta sexta-feira (17) durante a Expo Favela 2023, é possível constatar que se as favelas brasileiras fossem consideradas um estado, ocupariam o terceiro lugar no ranking de população do país.
Publicado em Negócios dia 17/03/2023 por Alan Corrêa

De acordo com a divulgação da pesquisa Data Favela 2023 nesta sexta-feira (17) durante a Expo Favela 2023, é possível constatar que se as favelas brasileiras fossem consideradas um estado, ocupariam o terceiro lugar no ranking de população do país.

A pesquisa aponta que o número de favelas no Brasil dobrou na última década, chegando a um total de 13.151 comunidades mapeadas em todo o território nacional.

Além disso, a renda gerada pela população dessas comunidades aumentou e ultrapassou a marca de R$ 200 bilhões, representando um acréscimo de R$ 12 bilhões em relação ao ano anterior.

Obras da Favela Galeria, uma galeria a céu aberto em São Mateus, zona leste da capital (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)

De acordo com o Data Favela, há cerca de 5,8 milhões de residências localizadas em favelas, que abrigam um total de 17,9 milhões de pessoas. Dentre esses residentes, 5,2 milhões já possuem um empreendimento em atividade, enquanto 6 milhões almejam ter o seu próprio negócio.

70% dos empreendedores têm a intenção de iniciar o seu empreendimento dentro da favela. Apesar da significativa quantidade de empreendimentos, somente 37% deles são formalizados e possuem um Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ).

Foram realizadas entrevistas quantitativas com 2.434 residentes de favelas em todas as regiões do Brasil, no período de 6 a 13 de março de 2023.

De acordo com as explicações do fundador do Data Favela, Renato Meirelles, o aumento da população nas comunidades se deve ao alto custo de vida nas cidades e à busca por moradias mais econômicas nos últimos anos.

“A favela é a concentração geográfica das desigualdades sociais, e muitas vezes o morador não encontra no emprego formal a oportunidade para desenvolver toda sua potencialidade. O morador da favela só vai conseguir ganhar mais do que dois salários mínimos se empreender dentro da favela. Assim, pode usar o seu potencial e fazer com que o dinheiro das favelas fique dentro das próprias favelas”, disse.

Há uma previsão de que nos próximos 12 meses, cerca de 6,5 milhões de indivíduos pretendem adquirir um imóvel e 7,9 milhões têm interesse em comprar móveis para suas residências.

A população da favela aumenta e impulsiona uma economia de mais de R$ 200 bilhões (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)

Essas informações reforçam a ideia de que a maioria dos moradores de favelas (34%) considera a aquisição de uma casa própria como o principal sonho, sendo que as mulheres (38%) são as mais interessadas em ter a segurança de uma casa própria, enquanto 29% dos homens compartilham desse desejo.

Como segundo sonho mais comum, aparece a ideia de ter um negócio próprio (13%), seguida pela busca pela saúde (10%).

De acordo com a pesquisa, 7,9 milhões de pessoas têm a intenção de iniciar um curso profissionalizante e 5,6 milhões desejam fazer um curso de idiomas. No entanto, para a maioria dos participantes da pesquisa (61%), a falta de recursos financeiros é o principal obstáculo para alcançar essas metas educacionais.

Segundo com Meirelles, a pesquisa revela que a recuperação econômica do Brasil deve começar nas favelas, que abrigam cerca de 18 milhões de pessoas e geram uma movimentação financeira de R$ 200 bilhões, tendo o empreendedorismo como sua principal matriz econômica. Meirelles destaca a importância desse evento para acabar com os estereótipos associados às favelas, ressaltando que a maioria de seus habitantes é composta por trabalhadores, sendo liderados por mulheres que cuidam dos filhos e dos demais membros da comunidade. Além disso, Meirelles destaca a importância dos negros na força econômica das favelas.

A população das favelas tem crescido significativamente, impulsionando a economia com um movimento financeiro.

De acordo com Meirelles, iniciativas como a Expo Favela são essenciais para criar oportunidades que antes eram restritas apenas aos mais abastados. Ele destaca que houve uma grande transformação na economia das favelas, e que a presença de autoridades governamentais, empresários influentes e artistas que possuem um papel fundamental na formação de opinião, sob a liderança das próprias comunidades, demonstra o protagonismo das favelas na mudança da situação do país. Meirelles enfatiza que é necessário unir esforços para alcançar essa transformação.

O fundador da Expo Favela, Celso Athayde, destaca que a principal novidade deste ano é a expansão do evento para 20 estados, graças ao reconhecimento e valorização obtidos no ano anterior. Athayde acredita que esse aumento na abrangência da exposição é resultado da crescente consciência das favelas em relação à sua importância no cenário econômico. Ele enfatiza que o sucesso dos negócios nas favelas pode levar a um impacto social significativo, uma vez que a geração de renda e emprego em larga escala pode contribuir para a redução das desigualdades sociais. Athayde destaca que, ao investir em empreendimentos nas favelas, é possível criar oportunidades de trabalho e promover o desenvolvimento econômico local.

De acordo com o Data Favela, atualmente existem cerca de 5,8 milhões de domicílios em favelas, com uma população de 17,9 milhões de pessoas. Dessas pessoas, 5,2 milhões já possuem um empreendimento em andamento, enquanto 6 milhões almejam ter um negócio próprio no futuro. Além disso, sete em cada dez empreendedores têm o desejo de abrir seu negócio dentro da própria comunidade. Apesar desses números expressivos, apenas 37% dos empreendimentos são formalizados e possuem um CNPJ (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)

Athayde destacou que o desejo de empreender nas favelas é motivado pela observação diária de negócios prósperos e empreendedores bem-sucedidos, que inspiram outras pessoas a empreenderem para ajudar sua comunidade. Essa influência é tão forte que muitos indivíduos consideram empreender em primeiro lugar para ajudar seus pares dentro da favela.

“As pessoas não precisam ir para muito longe para trabalhar. Quando você trabalha perto de casa ou dentro da sua própria comunidade, você tem uma qualidade de vida muito melhor e com mais tempo. Esse é o primeiro passo do empreendedor que percebe potência do seu território”, explica.

Segundo Athayde, existem inúmeros desafios enfrentados pelas favelas, mas o maior obstáculo para os negócios é a falta de qualificação. Isso ocorre porque, geralmente, as pessoas que vivem nessas comunidades não têm conhecimento das expressões clássicas usadas no ambiente empresarial. Mesmo que seus pais sejam empreendedores, essas palavras e jargões podem não fazer parte do seu vocabulário. Portanto, Athayde acredita que a qualificação objetiva das pessoas é fundamental para o seu desenvolvimento. Quando alguém se torna um empreendedor de sucesso nessas áreas, muitas oportunidades se abrem.

*Com informações da Agência Brasil e ExpoFavela.