Paolla Oliveira fala sobre direito ao aborto, recusa à maternidade e julgamentos na carreira

Não foi com revolta nem com tristeza. Foi com firmeza que Paolla Oliveira contou no Roda Viva que não quer filhos e é a favor do aborto. Julgada por outras mulheres e rejeitada por marcas por “não ser família”, ela reforçou a importância da escolha feminina. Ao congelar óvulos, garantiu sua autonomia sobre o futuro. Ao defender o aborto, enfrentou críticas, mas reafirmou: a decisão deve ser da mulher — sempre.
Publicado por Maria Eduarda Peres em Entretenimento dia 7/05/2025

Em um Brasil que ainda trata maternidade como obrigação, Paolla Oliveira foi ao Roda Viva, da TV Cultura, para dizer o contrário. A atriz, hoje no ar como Heleninha Roitman na nova versão de Vale Tudo, falou com franqueza sobre suas escolhas pessoais — e os julgamentos que vieram com elas.

Pontos Principais:

  • Paolla Oliveira contou que não deseja ser mãe e congelou óvulos para manter sua liberdade de escolha.
  • A atriz foi julgada por outras mulheres e perdeu campanhas publicitárias por não seguir o padrão “familiar”.
  • Ela se declarou a favor do direito ao aborto, classificando como retrocesso negar essa possibilidade.
  • Paolla e Diogo Nogueira decidiram juntos que filhos não são prioridade, e encaram isso com maturidade.
Paolla Oliveira revelou no Roda Viva que não quer ser mãe agora. E mais: já perdeu trabalhos por isso. “Diziam que eu era menos família”, contou - reprodução instagram / @paollaoliveirareal
Paolla Oliveira revelou no Roda Viva que não quer ser mãe agora. E mais: já perdeu trabalhos por isso. “Diziam que eu era menos família”, contou – reprodução instagram / @paollaoliveirareal

Paolla não quer filhos. Ao menos não por agora. Ela congelou seus óvulos, uma decisão que chamou de “liberdade de escolha”. Não é um posicionamento definitivo, mas o direito de ter dúvida. E mesmo essa dúvida já foi o suficiente para que a rejeitassem em campanhas publicitárias.

Segundo ela, foi considerada “menos família” por sua postura. “Me paravam na rua para dizer que eu era amarga, insensível. Como se minha escolha me diminuísse como mulher”, afirmou no programa. O mais duro, contou, é que muitas dessas críticas vieram de outras mulheres.

A artista também tocou em um dos assuntos mais sensíveis do debate público: o direito ao aborto. Foi direta. “Acho um grande retrocesso não pensar nisso como uma possibilidade. É escolha da mulher. Eu sou a favor”, disse, ciente das reações que sua opinião causaria.

As redes sociais se dividiram. Algumas mensagens a apoiaram, mas muitas a atacaram — inclusive com ofensas religiosas e ideias ultrapassadas sobre o papel feminino. Para Paolla, porém, a discussão é maior que ela. “A gente tem que rever leis, rever o olhar. É uma questão da mulher.”

Ela não esconde que já sentiu vergonha por não querer ser mãe. “Inventava desculpas, evitava o assunto. Achava que o problema era meu”, confessou. Hoje, sua fala não carrega culpa, mas convicção. E um objetivo claro: ajudar outras mulheres a não passarem pelo mesmo.

Paolla também ressaltou que sua escolha não é rara. Citou dados que apontam que cerca de 40% das mulheres hoje não desejam ter filhos. E questionou: “A mulher está condicionada à reprodução ou não? Por que nossa vida é vista como menor se escolhemos outro caminho?”

Diogo Nogueira, seu parceiro, também compartilha da mesma visão. Em entrevista à GQ, disse que os dois conversam abertamente sobre isso e que, por enquanto, não pensam em filhos. “E se não acontecer, tudo certo”, resumiu o cantor.

Na televisão, Heleninha — sua personagem — é a mulher “do escândalo”, “da crise”, como descreveu. Na vida real, Paolla rejeita os mesmos estigmas. Quer liberdade para ser quem quiser. E mais do que isso: quer que outras mulheres tenham esse mesmo direito.

Ao falar de escolha com tanta naturalidade, ela obriga o público a refletir. O corpo é da mulher. A vida é da mulher. E a decisão, também deve ser.

Fonte: Caras, Veja, Gauchazh e Terra.