Morte de Miguel Uribe expõe risco de nova onda de violência política na Colômbia

Senador e pré-candidato à presidência da Colômbia, Miguel Uribe morreu dois meses após ser baleado em um comício em Bogotá. Caso remete a atentados fatais dos anos 1990 e provoca reação internacional.
Publicado por Alan Correa em Mundo dia 11/08/2025

Miguel Uribe, senador de oposição e um dos principais pré-candidatos à presidência da Colômbia, morreu nesta segunda-feira (11) em Bogotá, aos 39 anos, após complicações decorrentes de um atentado a tiros sofrido em junho. O político foi baleado na cabeça e na perna enquanto discursava em um comício, episódio que reavivou memórias dolorosas da violência política no país.

Pontos Principais:

  • Miguel Uribe foi baleado em comício em Bogotá em 7 de junho.
  • Senador de oposição era um dos favoritos à presidência da Colômbia.
  • Político morreu após mais de dois meses internado em estado grave.
  • Autoridades e líderes internacionais condenaram o atentado.

O ataque ocorreu no bairro Fontibón, na capital, quando homens armados dispararam pelas costas de Uribe. Imagens do momento mostram o senador caído, ensanguentado, sendo socorrido por apoiadores. Além dele, outras duas pessoas ficaram feridas. Um adolescente de 15 anos foi apreendido com a arma do crime.

Uribe foi internado na Fundação Santa Fé, onde passou por cirurgias e permaneceu em tratamento intensivo. Apesar de ter sido estabilizado, sofreu uma hemorragia no sistema nervoso central no último sábado (9), voltando ao estado crítico e sendo submetido a uma nova operação. Não resistiu.

O político era neto do ex-presidente Julio César Turbay Ayala e filho de Diana Turbay, jornalista sequestrada e assassinada pelo cartel de Medellín em 1991, episódio narrado no livro “Notícias de um Sequestro”, de Gabriel García Márquez. Em 2022, foi o parlamentar mais votado do país.

Membro do partido de direita Centro Democrático, liderado pelo ex-presidente Álvaro Uribe Vélez, Miguel não possuía laços de parentesco com o ex-chefe de Estado, apesar do sobrenome. Sua morte gerou manifestações de pesar de aliados, opositores e autoridades internacionais.

O ex-presidente Álvaro Uribe classificou o crime como a destruição da esperança. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, exigiu justiça. O governo brasileiro condenou o ataque e destacou a necessidade de investigação rigorosa para identificar e punir os responsáveis.

A violência contra candidatos presidenciais na Colômbia não é inédita. Nos últimos 50 anos, três postulantes ao cargo foram assassinados durante a campanha. O caso de Miguel Uribe reacende a discussão sobre segurança eleitoral e o impacto da criminalidade organizada no cenário político do país.

Fonte: Folha e CNN.

Alan Correa
Alan Correa
Sou jornalista desde 2014 (MTB: 0075964/SP), com foco em reportagens para jornais, blogs e sites de notícias. Escrevo com apuração rigorosa, clareza e compromisso com a informação. Apaixonado por tecnologia e carros.