Miguel Uribe, senador de oposição e um dos principais pré-candidatos à presidência da Colômbia, morreu nesta segunda-feira (11) em Bogotá, aos 39 anos, após complicações decorrentes de um atentado a tiros sofrido em junho. O político foi baleado na cabeça e na perna enquanto discursava em um comício, episódio que reavivou memórias dolorosas da violência política no país.
O ataque ocorreu no bairro Fontibón, na capital, quando homens armados dispararam pelas costas de Uribe. Imagens do momento mostram o senador caído, ensanguentado, sendo socorrido por apoiadores. Além dele, outras duas pessoas ficaram feridas. Um adolescente de 15 anos foi apreendido com a arma do crime.
Uribe foi internado na Fundação Santa Fé, onde passou por cirurgias e permaneceu em tratamento intensivo. Apesar de ter sido estabilizado, sofreu uma hemorragia no sistema nervoso central no último sábado (9), voltando ao estado crítico e sendo submetido a uma nova operação. Não resistiu.
O político era neto do ex-presidente Julio César Turbay Ayala e filho de Diana Turbay, jornalista sequestrada e assassinada pelo cartel de Medellín em 1991, episódio narrado no livro “Notícias de um Sequestro”, de Gabriel García Márquez. Em 2022, foi o parlamentar mais votado do país.
Membro do partido de direita Centro Democrático, liderado pelo ex-presidente Álvaro Uribe Vélez, Miguel não possuía laços de parentesco com o ex-chefe de Estado, apesar do sobrenome. Sua morte gerou manifestações de pesar de aliados, opositores e autoridades internacionais.
O ex-presidente Álvaro Uribe classificou o crime como a destruição da esperança. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, exigiu justiça. O governo brasileiro condenou o ataque e destacou a necessidade de investigação rigorosa para identificar e punir os responsáveis.
A violência contra candidatos presidenciais na Colômbia não é inédita. Nos últimos 50 anos, três postulantes ao cargo foram assassinados durante a campanha. O caso de Miguel Uribe reacende a discussão sobre segurança eleitoral e o impacto da criminalidade organizada no cenário político do país.
