Lady Gaga reúne 2,1 milhões em Copacabana e escancara falhas na saída do show

O maior show da vida de Lady Gaga lotou Copacabana com 2,1 milhões de pessoas e impulsionou a economia do Rio, mas terminou com falhas na volta para casa. Com patrocínio público e privado, o evento de R$ 92 milhões trouxe retorno de R$ 600 milhões. A dispersão revelou gargalos no transporte: empurra-empurra, uso de spray de pimenta, desmaios e acesso limitado ao metrô. A prefeitura e o Metrô Rio prometeram melhorias para os próximos eventos na orla.
Publicado por Maria Eduarda Peres em Entretenimento dia 6/05/2025

O sábado, 3 de maio de 2025, entrou para a história da música e da cidade do Rio de Janeiro. Com 2,1 milhões de pessoas reunidas na Praia de Copacabana, Lady Gaga protagonizou o maior show de sua carreira — gratuito, ao ar livre e carregado de simbolismo. A apresentação celebrou a aguardada volta da cantora ao Brasil após 13 anos e causou impacto econômico e cultural significativo, mas revelou falhas estruturais graves no transporte urbano.

Pontos Principais:

  • Show gratuito de Lady Gaga atraiu 2,1 milhões de pessoas a Copacabana.
  • Evento custou R$ 92 milhões e gerou impacto de R$ 600 milhões no Rio.
  • Problemas graves no transporte marcaram a volta para casa, com tumulto e desmaios.
  • Prefeitura e Metrô Rio estudam soluções como bilhetes com hora marcada.
Lady Gaga levou 2,1 milhões de fãs à Praia de Copacabana. Foi o maior show da carreira e movimentou R$ 600 milhões no Rio. Mas a volta pra casa virou um perrengue - Reprodução instagram / @tvglobo
Lady Gaga levou 2,1 milhões de fãs à Praia de Copacabana. Foi o maior show da carreira e movimentou R$ 600 milhões no Rio. Mas a volta pra casa virou um perrengue – Reprodução instagram / @tvglobo

A estimativa oficial indica que mais de 600 mil turistas desembarcaram no Rio para o evento, levando a uma ocupação de 96% nos hotéis da Zona Sul. Além disso, 4,22 milhões de postagens nas redes sociais mencionaram o espetáculo, e Gaga ganhou mais de 1 milhão de seguidores no Instagram. Os números traduzem o tamanho do fenômeno, reforçado pela repercussão internacional.

O custo do show foi de R$ 92 milhões, bancado em 90% por patrocinadores privados, com apoio adicional de R$ 30 milhões dos governos municipal e estadual. O investimento, no entanto, foi rapidamente justificado: segundo a Riotur, o evento gerou impacto de R$ 600 milhões na economia carioca — um retorno expressivo para o setor de turismo, transporte, alimentação e serviços.

Por outro lado, a dispersão do público revelou a fragilidade da logística de grandes eventos. Apenas três estações de metrô — Cantagalo, Siqueira Campos e Cardeal Arcoverde — estavam abertas para embarque. A multidão se amontoou nos acessos, houve empurra-empurra, pessoas passaram mal e a polícia precisou intervir com spray de pimenta.

Nas redes sociais, muitos fãs relataram ter demorado até três horas para embarcar. Ambulâncias não conseguiam circular, carros de aplicativos travaram vias como a Nossa Senhora de Copacabana, e houve episódios de invasão das catracas nas estações, dificultando o controle da operação.

A Metrô Rio justificou a situação afirmando que os trens circulavam com intervalo de 2 minutos e meio, o menor possível. Mesmo assim, a concessionária já considera aplicar o mesmo modelo usado no réveillon: bilhetes com hora marcada para retorno. A prefeitura afirmou que reuniões de avaliação estão sendo realizadas para aprimorar futuros planos operacionais.

Entre os patrocinadores do evento, destaque para as marcas Corona e Spotify, que lideraram em citações nas redes sociais. O Spotify se beneficiou com o aumento de streams das músicas de Lady Gaga, enquanto a Corona foi ativada durante o evento com ações de engajamento. Também participaram marcas como Santander, Latam, 99, C&A, Zé Delivery, Absolut, Dove e Deezer.

Uma das cenas mais comentadas da noite foi o momento em que Lady Gaga leu uma carta de agradecimento ao público brasileiro — e o tradutor escolhido foi Nicolas Rafael Garcia, funcionário do Copacabana Palace. Formado em hotelaria, ele foi autorizado a subir ao palco e leu a mensagem da artista com emoção, reforçando o caráter simbólico da noite.

O evento reafirma o potencial do Rio como palco de megashows internacionais. A Riotur já confirmou patrocínio para eventos desse porte até 2028. Mas para que essa vocação se fortaleça, será preciso investir em soluções que garantam segurança e fluidez na dispersão, respeitando a escala e a diversidade do público.

Por fim, o megashow de Lady Gaga revelou dois lados da mesma moeda: a potência da cultura como motor econômico e social, e a urgência de repensar a infraestrutura urbana para acolher com dignidade eventos dessa magnitude. O desafio, agora, é aprender com os erros para que a experiência do público evolua tanto quanto o espetáculo no palco.

Fonte: Oglobo, Oglobo, Veja e Jovempan.