José Mujica, ex-presidente do Uruguai, morreu aos 89 anos nesta terça-feira, 13 de maio de 2025. A confirmação encerra um ciclo político e histórico de um dos personagens mais emblemáticos da América Latina, cuja trajetória atravessou décadas de resistência, política institucional e protagonismo regional.
Pontos Principais:
A morte de Mujica ocorre pouco mais de um ano após ele ter revelado publicamente um diagnóstico de câncer no esôfago em estágio avançado. Desde então, sua saúde foi tema de constante atenção no Uruguai e fora dele. Mujica já sofria de uma doença imunológica que comprometia seus rins, o que limitava suas opções de tratamento.

Nos meses que antecederam sua morte, Mujica fez aparições esporádicas, sempre em tom de despedida. Em outubro de 2024, chegou a discursar dizendo estar perto de partir para “o lugar de onde não se volta”, consolidando a percepção pública de que seu fim se aproximava.
José Alberto Mujica Cordano nasceu em 20 de maio de 1935, na cidade de Montevidéu. Nos anos 1960, aderiu ao Movimento de Libertação Nacional – Tupamaros, organização de esquerda armada que confrontou o governo e realizou ações como assaltos a bancos e distribuição de bens à população carente.
A atuação política de Mujica o levou à clandestinidade e a sucessivas prisões. Ele foi baleado em confrontos, escapou da cadeia duas vezes e acabou recapturado em 1972. A partir daí, permaneceu preso por 14 anos, em condições precárias, sob tortura e isolamento.
Durante a ditadura militar no Uruguai, Mujica foi mantido como prisioneiro de alta periculosidade, sob a ameaça de execução sumária caso os Tupamaros retomassem ações armadas. A anistia de 1985, no contexto de redemocratização, possibilitou sua libertação definitiva.
Com a redemocratização do país, Mujica trocou a luta armada pela via institucional. Participou da fundação do Movimento de Participação Popular (MPP), braço da coalizão de esquerda Frente Ampla. Foi eleito deputado em 1994, senador em 1999 e, em 2005, assumiu o Ministério da Agricultura no governo de Tabaré Vázquez.
Em 2009, foi eleito presidente da República para o mandato de 2010 a 2015. Durante sua gestão, ampliou os investimentos sociais e promoveu medidas que impactaram diretamente a distribuição de renda. A legalização da maconha, sancionada durante seu governo, ganhou repercussão internacional.
Após deixar a Presidência, Mujica retornou ao Senado até 2020, quando renunciou ao cargo citando motivos de saúde. Desde então, se dedicava à vida em sua propriedade rural, cultivando a terra e participando pontualmente de debates políticos e entrevistas.
Conhecido por levar uma vida pessoal sem ostentação, Mujica morava em uma casa simples nos arredores da capital e dirigia um Fusca de 1987 para se locomover. Mesmo como presidente, rejeitou privilégios e repassava a maior parte de seu salário para projetos sociais.
Durante os últimos anos, enfrentou problemas de saúde crescentes. Em abril de 2024, anunciou um câncer no esôfago, afirmando que seu corpo já estava comprometido por uma enfermidade autoimune. O quadro o impediu de realizar tratamentos invasivos.
Mesmo assim, fez aparições públicas pontuais. Em uma delas, em outubro, disse estar se despedindo da vida. Após essa declaração, manteve-se recluso e cercado por familiares e aliados próximos.
A notícia da morte de Mujica causou comoção em toda a América Latina e gerou reações de lideranças políticas, movimentos sociais e ex-chefes de Estado. Diversos setores destacaram sua postura coerente com os ideais que defendeu ao longo da vida.
Mujica deixa um legado marcado pela coerência entre discurso e prática. Mesmo após alcançar os mais altos cargos da política uruguaia, permaneceu fiel à simplicidade pessoal e ao engajamento com as causas sociais.
Seu perfil continuará sendo debatido nas ciências políticas e estudado como um caso raro de dirigente que passou da guerrilha armada à presidência sem renunciar à identidade construída nas décadas anteriores.
Fonte: Carro.Blog.Br e G1.
