Tradicionalmente, o HIV era mais associado aos jovens, especialmente àqueles que levavam uma vida sexual mais intensa. No entanto, o cenário vem mudando, e um relatório recente do Ministério da Saúde divulgado em 2022 revelou que o número de diagnósticos de HIV entre os brasileiros com mais de 60 anos tem aumentado significativamente. Em 2021, foram feitos cerca de 1500 diagnósticos nessa faixa etária, o que representa um aumento de quatro vezes em relação a uma década atrás, em 2011, quando foram registrados apenas 380 casos.
Essa tendência tem diversas razões. Primeiramente, a população brasileira acima dos 60 anos tem crescido consideravelmente, tornando-se a faixa etária com maior crescimento no país. Além disso, muitas pessoas dessa geração, ao chegarem nessa idade, ainda mantêm uma vida sexual ativa, porém, não foram acostumadas a usar preservativos desde o início de suas vidas sexuais. Isso pode ser um problema, pois, ao atingir essa fase da vida, há uma dificuldade maior em aceitar o uso do preservativo, uma vez que não foi enraizado como um valor durante a adolescência.
Outro fator que contribui para o aumento dos casos é o número significativo de mulheres e homens que chegam à terceira idade solteiros, divorciados ou viúvos. Essas pessoas tendem a continuar se relacionando sexualmente sem o uso de proteção, aumentando o risco de transmissão do vírus.
O diagnóstico tardio é um problema sério nessa faixa etária. Médicos muitas vezes não costumam suspeitar de infecção por HIV em pacientes idosos, mesmo diante de queixas como perda de peso e infecções recorrentes. Como resultado, o tratamento adequado pode ser adiado, o que pode afetar negativamente a evolução do HIV para AIDS. Quando o diagnóstico é precoce, o tratamento com antivirais pode melhorar a evolução da doença e transformar a AIDS em uma condição crônica de longo prazo.
É fundamental que o diagnóstico de infecção por HIV seja considerado em qualquer idade, especialmente quando há uma história de vida sexual ativa sem proteção. Os médicos devem ser diligentes em pedir o teste, independentemente da idade do paciente, já que o risco existe para qualquer pessoa que mantenha relações sexuais desprotegidas, independentemente da faixa etária.
É importante desmistificar a ideia de que a vida sexual deve ter um prazo de validade. A sociedade muitas vezes assume que homens e mulheres com mais de 60 anos não têm mais atividade sexual, mas isso é um equívoco. A vida sexual pode ser ativa e satisfatória em qualquer idade, desde que haja precaução e cuidado.
É essencial conscientizar os idosos sobre a importância da prevenção do HIV, incentivando o uso de preservativos e a realização regular de testes, mesmo em idades mais avançadas. O diagnóstico precoce é fundamental para garantir um tratamento adequado e proporcionar uma qualidade de vida melhor aos afetados pelo HIV, independentemente de sua idade.