Idoso devem se prevenir do HIV? Entenda

O cenário da infecção pelo HIV tem passado por mudanças significativas nos últimos anos, especialmente quando se trata de pessoas idosas.
Publicado em Saúde dia 6/08/2023 por Alan Corrêa

Tradicionalmente, o HIV era mais associado aos jovens, especialmente àqueles que levavam uma vida sexual mais intensa. No entanto, o cenário vem mudando, e um relatório recente do Ministério da Saúde divulgado em 2022 revelou que o número de diagnósticos de HIV entre os brasileiros com mais de 60 anos tem aumentado significativamente. Em 2021, foram feitos cerca de 1500 diagnósticos nessa faixa etária, o que representa um aumento de quatro vezes em relação a uma década atrás, em 2011, quando foram registrados apenas 380 casos.

Essa tendência tem diversas razões. Primeiramente, a população brasileira acima dos 60 anos tem crescido consideravelmente, tornando-se a faixa etária com maior crescimento no país. Além disso, muitas pessoas dessa geração, ao chegarem nessa idade, ainda mantêm uma vida sexual ativa, porém, não foram acostumadas a usar preservativos desde o início de suas vidas sexuais. Isso pode ser um problema, pois, ao atingir essa fase da vida, há uma dificuldade maior em aceitar o uso do preservativo, uma vez que não foi enraizado como um valor durante a adolescência.

O cenário da infecção pelo HIV tem passado por mudanças significativas nos últimos anos, especialmente quando se trata de pessoas idosas.
O cenário da infecção pelo HIV tem passado por mudanças significativas nos últimos anos, especialmente quando se trata de pessoas idosas.

Outro fator que contribui para o aumento dos casos é o número significativo de mulheres e homens que chegam à terceira idade solteiros, divorciados ou viúvos. Essas pessoas tendem a continuar se relacionando sexualmente sem o uso de proteção, aumentando o risco de transmissão do vírus.

O diagnóstico tardio é um problema sério nessa faixa etária. Médicos muitas vezes não costumam suspeitar de infecção por HIV em pacientes idosos, mesmo diante de queixas como perda de peso e infecções recorrentes. Como resultado, o tratamento adequado pode ser adiado, o que pode afetar negativamente a evolução do HIV para AIDS. Quando o diagnóstico é precoce, o tratamento com antivirais pode melhorar a evolução da doença e transformar a AIDS em uma condição crônica de longo prazo.

É fundamental que o diagnóstico de infecção por HIV seja considerado em qualquer idade, especialmente quando há uma história de vida sexual ativa sem proteção. Os médicos devem ser diligentes em pedir o teste, independentemente da idade do paciente, já que o risco existe para qualquer pessoa que mantenha relações sexuais desprotegidas, independentemente da faixa etária.

Diversos fatores contribuem para esse aumento alarmante de casos de HIV em idosos.
Diversos fatores contribuem para esse aumento alarmante de casos de HIV em idosos.

É importante desmistificar a ideia de que a vida sexual deve ter um prazo de validade. A sociedade muitas vezes assume que homens e mulheres com mais de 60 anos não têm mais atividade sexual, mas isso é um equívoco. A vida sexual pode ser ativa e satisfatória em qualquer idade, desde que haja precaução e cuidado.

É essencial conscientizar os idosos sobre a importância da prevenção do HIV, incentivando o uso de preservativos e a realização regular de testes, mesmo em idades mais avançadas. O diagnóstico precoce é fundamental para garantir um tratamento adequado e proporcionar uma qualidade de vida melhor aos afetados pelo HIV, independentemente de sua idade.

*Com informações da UFMG, BBC, Fiocruz e UOL.