O futuro da televisão aberta no Brasil começou a sair do papel com a inauguração da primeira estação experimental de DTV+ — nome nacional da TV 3.0 —, instalada no Pico do Sumaré, no Rio de Janeiro. A iniciativa, liderada pela Globo, tem caráter científico e experimental e ocorre em um momento simbólico: no ano em que o grupo comemora seu centenário e a emissora completa 60 anos de existência.
Pontos Principais:

O evento, realizado no último dia 29 de abril de 2025, contou com a participação de representantes do Ministério das Comunicações, Anatel, Ancine e da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República. O marco representa mais do que uma demonstração tecnológica. Ele aponta para um novo modelo de radiodifusão, com promessas de integração entre o sinal da TV aberta tradicional e os recursos da internet.
O Ministério das Comunicações e os órgãos reguladores envolvidos concederam licença temporária para a estação-piloto. Essa autorização permitirá que testes de conteúdo, interatividade, arquitetura de sistema e modelos de negócio sejam conduzidos até que a DTV+ seja lançada comercialmente, o que está previsto para 2026.
A Globo instalou a estação no Sumaré com alcance voltado às regiões da Zona Sul e Barra da Tijuca. Nesta fase inicial, a transmissão é restrita a profissionais do setor, que utilizarão dispositivos com protótipos de receptores específicos para captar o sinal. O experimento é o primeiro passo para a construção de uma nova infraestrutura tecnológica para a TV aberta brasileira.
A proposta da DTV+ é entregar um sistema híbrido, em que o sinal gratuito captado pela antena será combinado com recursos conectados, como interatividade e personalização de conteúdo. Tudo isso será feito mantendo a gratuidade do serviço, característica tradicional da televisão aberta.
A estação-piloto também funcionará como base para testes de funcionalidades como replays, quizes ao vivo, segmentação de publicidade e menus interativos acessíveis por controle remoto. O objetivo, segundo a direção técnica da emissora, é entender como o público reagirá às novas formas de consumo televisivo.
A DTV+, conhecida internacionalmente como TV 3.0, vai incorporar avanços significativos em imagem e som. A expectativa é de que os novos sinais suportem resoluções em 4K e até 8K, além de áudio imersivo com qualidade comparável à de salas de cinema.
A experiência de uso também deve se transformar. Em vez de trocar canais tradicionalmente, o espectador navegará por aplicativos de emissoras, de forma similar ao que já ocorre nas plataformas de streaming. A TV identificará preferências a partir de uma conta logada, permitindo recomendações e interação em tempo real.
Com isso, surgem possibilidades como:
Mesmo sem conexão à internet, parte das funções seguirá disponível, como imagem em 4K e som de alta definição. Mas a interatividade será mais completa quando a TV estiver online.
Para os anunciantes, a DTV+ representa a fusão entre o alcance massivo da TV aberta e a precisão do marketing digital. A tecnologia permitirá a veiculação de propagandas com base em localização geográfica, perfil de consumo e preferências pessoais do usuário.
Com o recurso chamado Dynamic Ad Insertion, será possível alterar anúncios em tempo real durante a exibição do mesmo programa, dependendo do perfil de quem está assistindo. O setor publicitário poderá aplicar métodos semelhantes aos usados hoje em plataformas como redes sociais e streaming.
Esses novos formatos de monetização não implicam em cobrança para o espectador. A gratuidade da TV aberta será preservada, mas a lógica de entrega de conteúdo e anúncio se adaptará à realidade digital.
Assim como ocorreu na migração do sinal analógico para o digital, será necessário um conversor específico para acessar a DTV+ nos televisores atuais. Esses dispositivos ainda estão em fase de prototipagem, e não há definição sobre preços ou datas de venda.
Há discussões no governo sobre a distribuição gratuita desses conversores para famílias de baixa renda. A proposta é semelhante à política pública usada na transição anterior, que teve apoio de programas sociais e incentivos logísticos.
No longo prazo, espera-se que os novos modelos de smart TVs vendidos no Brasil já saiam de fábrica com compatibilidade com a DTV+, eliminando a necessidade de adaptadores.
A meta do Fórum do Sistema Brasileiro de Televisão Digital Terrestre é que o lançamento comercial ocorra em 2026. Até lá, as fases de testes como essa da Globo serão essenciais para refinar a tecnologia, estruturar os modelos de negócios e preparar fabricantes, emissoras e consumidores.
O Ministério das Comunicações trabalha em articulação com outros órgãos para fomentar a indústria de equipamentos, desenvolver padrões nacionais e garantir que a nova TV aberta esteja alinhada às metas de inclusão digital e inovação tecnológica do país.
A implementação comercial deve começar por São Paulo e Rio de Janeiro, considerando o volume de audiência e os eventos esportivos previstos para o período, como a Copa do Mundo de 2026.
Além do ambiente doméstico, a DTV+ poderá ser utilizada em aplicações externas, como painéis de mídia out-of-home, totens e sistemas de sinalização digital. Isso será possível porque a tecnologia não depende exclusivamente da internet para transmissão de dados, podendo funcionar com sinal de antena.
Essas aplicações ampliam o alcance da radiodifusão digital para espaços públicos e comerciais, permitindo uma nova forma de distribuição de conteúdo e anúncios em locais com grande circulação de pessoas.
A expansão da DTV+ para fora das salas de estar é uma das frentes de pesquisa da estação-piloto, que busca estudar o comportamento de diferentes públicos em diferentes contextos.
tv 3.0 brasil lançamento, dtv+ globo transmissão experimental, ministério das comunicações tv 3.0, como funciona a dtv+ no brasil, tv aberta 4k gratuita, publicidade segmentada na tv, conversor dtv+ preço estimado, interatividade na televisão aberta, futuro da tv digital no brasil, personalização de conteúdo na tv aberta
Fonte:Gov, G1, Olhardigital.