Na versão original de Vale Tudo, exibida em 1988, César Ribeiro, interpretado por Carlos Alberto Riccelli, era retratado como um modelo que vivia de golpes, surfe e de uma vida oportunista. No remake, o papel ficou a cargo de Cauã Reymond, mas o perfil do personagem se manteve fiel: um homem ambicioso, sedutor e disposto a se envolver em alianças estratégicas para garantir vantagens.
César teve ao longo da novela relacionamentos intensos com duas figuras centrais: Maria de Fátima, vivida por Gloria Pires, e Odete Roitman, a empresária interpretada por Beatriz Segall. Esses vínculos marcaram sua trajetória, mostrando como ele transitava entre paixões e interesses financeiros, sempre em busca de ascensão.

Nos capítulos finais, a tensão em torno da morte de Odete levou César a ser confrontado por Fátima. Em diálogo marcado por acusações e desconfianças, ele negou envolvimento no crime, insistindo que não tinha responsabilidade, mas deixou claro que não pretendia assumir culpas para proteger ninguém. Esse embate evidenciou seu caráter pragmático e sua incapacidade de assumir riscos que não lhe trouxessem retorno.
Logo após, César buscou acerto de contas com Marco Aurélio, personagem de Reginaldo Faria, exigindo o pagamento de valores que lhe eram devidos. O clima de cobrança e ameaça mostrou mais uma vez a face calculista do modelo, que não hesitava em enfrentar empresários poderosos em nome de dinheiro e sobrevivência. Ao perceber que não receberia a quantia combinada, decidiu abandonar o país, seguindo para a Europa.
O reencontro com Maria de Fátima no futuro abriu espaço para uma nova fase da trama. O casal retomou a relação e César apresentou a ela um plano ousado: um casamento arranjado entre Fátima e o príncipe Giovanni, personagem de Marcos Manzano. A proposta envolvia não apenas aparência social, mas também cifras milionárias para sustentar a união de fachada.
Nesse contexto, o folhetim expôs temas delicados para a época, como a conveniência política e os arranjos matrimoniais usados para blindar reputações. César descreveu o príncipe como alguém ligado a um partido conservador, necessitando de uma esposa para afastar suspeitas. Para Fátima, o acordo significava estabilidade financeira e ascensão social, mesmo que o amor estivesse ausente.
Assim, o destino de César foi selado em uma vida de luxo, escândalos abafados e manipulações. O arranjo entre ele, Fátima e Giovanni garantiu não apenas riqueza, mas também uma permanência no círculo de poder. A ironia está em como um personagem marcado por golpes e sobrevivência oportunista terminou ostentando prestígio, evidenciando a crítica social central que Vale Tudo sempre buscou retratar.
Fonte: CNN.
