EUA bombardeiam instalações nucleares do Irã e acirram conflito com Israel em meio à crise no Oriente Médio

Foi no momento mais sensível do conflito entre Israel e Irã que os EUA decidiram cruzar a linha vermelha. O governo Trump ordenou bombardeios a bases nucleares iranianas, ampliando o alcance da crise no Oriente Médio. O aiatolá Khamenei agora calcula os riscos de reagir sem provocar uma guerra total. A diplomacia parece enterrada, e o mundo observa, à beira de um abismo geopolítico que desafia alianças, protocolos e a estabilidade global.
Publicado por Maria Eduarda Peres em Onde Assistir dia 24/06/2025

O Oriente Médio enfrenta um dos momentos mais instáveis das últimas décadas. O confronto entre Israel e Irã, que durante anos se manteve nas sombras da guerra indireta, evoluiu para ataques explícitos e movimentações que colocam em risco não apenas a segurança regional, mas o equilíbrio diplomático global. O envolvimento direto dos Estados Unidos, com bombardeios sobre instalações nucleares iranianas, marca um ponto de inflexão no cenário geopolítico e encerra um longo período de contenção estratégica.

Pontos Principais:

  • Estados Unidos atacam instalações nucleares iranianas com bombardeiros furtivos B-2.
  • Irã rompe negociações diplomáticas e promete resposta estratégica contra EUA e Israel.
  • Pressão interna sobre Trump cresce por ação militar sem aprovação do Congresso.
  • Risco de guerra regional aumenta e Estreito de Ormuz pode virar novo foco de tensão.

Ao longo de mais de quatro décadas, o Irã manteve sua estrutura de poder apoiada em um jogo de paciência e resistência. Comandado pelo aiatolá Ali Khamenei desde 1989, o regime baseou-se na projeção de força regional e no uso de aliados não estatais. Esse modelo de dissuasão foi duramente impactado nos últimos meses, especialmente após ofensivas israelenses contra milícias apoiadas por Teerã no Líbano, Iêmen, Iraque e Síria. Agora, com suas estruturas atingidas e seu espaço de manobra limitado, o Irã enfrenta o dilema de como responder sem agravar ainda mais a situação.

O ataque coordenado de mais de 300 drones e mísseis lançado pelo Irã contra o território israelense em abril de 2024 expôs a tensão acumulada. Por outro lado, também serviu como teste para o poder de defesa de Israel, que acionou seu sistema integrado com apoio de países como EUA, Reino Unido, Jordânia, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. Essa coalizão permitiu interceptar quase todos os projéteis lançados, consolidando a imagem de cooperação entre rivais estratégicos e reafirmando a capacidade de resposta imediata de Tel Aviv.

A entrada dos EUA e o fim do limite informal

Durante décadas, os presidentes americanos evitaram ações militares diretas contra o Irã. Mesmo após crises como a da morte de Qasem Soleimani, em 2020, o cálculo político dos EUA sempre evitava a guerra total. Esse padrão foi rompido em junho de 2025, quando o governo Trump autorizou ataques aéreos sobre instalações nucleares iranianas, incluindo locais estratégicos como Natanz, Isfahan e Fordo.

A operação, que envolveu bombardeiros furtivos B-2 e o uso de armas antibunker, representa a maior ofensiva americana do tipo. O Irã, por sua vez, considera o ataque como uma violação da soberania nacional e das convenções internacionais. As negociações diplomáticas mediadas por europeus foram interrompidas. O chanceler iraniano afirmou publicamente que os EUA abandonaram a via pacífica e que não haverá retorno às mesas de negociação enquanto os bombardeios continuarem.

O impacto do ataque vai além da destruição física. Mesmo que o Irã minimize os danos e alegue que seu programa nuclear permanece intacto, a ação americana fortalece a percepção de que a diplomacia está esgotada. Analistas apontam que isso pode levar o regime iraniano a acelerar seu desenvolvimento nuclear como forma de estabelecer uma nova barreira de dissuasão contra futuras ofensivas.

O cálculo do Irã diante de uma resposta de alto custo

Dentro dos EUA, cresce a crítica ao governo Trump, acusado de violar o Congresso. Ao mesmo tempo, Israel mantém os ataques e agrava o cenário regional.
Dentro dos EUA, cresce a crítica ao governo Trump, acusado de violar o Congresso. Ao mesmo tempo, Israel mantém os ataques e agrava o cenário regional.

A liderança iraniana enfrenta um dilema. Qualquer resposta direta contra os Estados Unidos pode escalar o conflito para níveis incontroláveis. Um ataque contra bases americanas ou o fechamento do Estreito de Ormuz colocaria em risco a segurança energética mundial, irritando não apenas os rivais ocidentais, mas também aliados econômicos como a China.

Historicamente, o Irã optou por reações calibradas. Após o assassinato de Soleimani, por exemplo, o contra-ataque foi cuidadosamente articulado para evitar mortes americanas. No atual contexto, essa estratégia é mais difícil de ser aplicada. O efeito simbólico dos ataques e a pressão interna por uma reação mais contundente colocam Khamenei em uma posição delicada.

Além disso, a rede de aliados regionais do Irã foi enfraquecida. Após quase dois anos de operações israelenses, boa parte das infraestruturas do Hezbollah, Houthis e milícias xiitas sofreu perdas significativas. A capacidade de Teerã de utilizar esses parceiros como mecanismos de pressão indireta foi reduzida. Isso limita suas opções sem comprometer sua sobrevivência estratégica.

O impacto internacional e os caminhos possíveis

A escalada do conflito já provocou reações em diversas capitais globais. A Organização para a Cooperação Islâmica condenou os ataques israelenses e manifestou preocupação com a ofensiva americana. Líderes europeus pedem redução da escalada e retorno às negociações multilaterais. A Agência Internacional de Energia Atômica, por sua vez, reiterou que instalações nucleares não devem ser alvos militares, independentemente do contexto.

Internamente nos Estados Unidos, Trump enfrenta críticas por agir sem autorização do Congresso e por romper sua promessa de não envolver o país em guerras prolongadas. Ao mesmo tempo, o presidente é pressionado por aliados de Israel, como o premiê Benjamin Netanyahu, para manter a ofensiva até a neutralização completa da ameaça iraniana.

No cenário diplomático, o Irã acusa os Estados Unidos de traição à diplomacia e rejeita as exigências de desmantelamento de seu programa de enriquecimento. O chanceler iraniano argumenta que a imposição de limites ao uso pacífico da energia nuclear é uma violação dos direitos soberanos do país. Para Teerã, as negociações conduzidas por Washington não passavam de um pretexto para justificar uma ofensiva previamente planejada.

Fonte: Bbc, CNN, Cartacapital, CNN, G1, Bbc e Terra.