buscar
Negócios

Empreendedorismo nas Favelas do Rio de Janeiro: Potencialidades e Desafios

A pesquisa destacou alguns desafios enfrentados pelos empreendedores das favelas, dentre eles a informalidade, uma vez que a maioria (57%) não possui um CNPJ formalizando a existência de seus negócios. Além disso, obter capital para investir é outro obstáculo frequente, mencionado por 55% dos entrevistados, seguido pela gestão financeira do negócio (25%) e a falta de equipamentos (24%).
Publicado em Negócios dia 27/07/2023 por Alan Corrêa

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Data Favela revelou dados significativos sobre o empreendedorismo nas favelas do Rio de Janeiro. Segundo o estudo, quase 40% dos moradores dessas comunidades possuem negócio próprio, sendo que para 23% deles, essa é a principal fonte de renda. Os resultados da pesquisa serão apresentados por Renato Meirelles, fundador do Instituto, durante a Expo Favela Innovation Rio, evento que ocorrerá entre os dias 29 e 31 de julho, e contará com a presença de autoridades como o ministro dos Direitos Humanos e da Cidadania, Silvio Almeida, e o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes.

A pesquisa destacou alguns desafios enfrentados pelos empreendedores das favelas, dentre eles a informalidade, uma vez que a maioria (57%) não possui um CNPJ formalizando a existência de seus negócios. Além disso, obter capital para investir é outro obstáculo frequente, mencionado por 55% dos entrevistados, seguido pela gestão financeira do negócio (25%) e a falta de equipamentos (24%).

Vista da comunidade do Morro Azul e de prédios dos bairros do Flamengo e Laranjeiras, na zona sul da cidade, (Foto:Tânia Rêgo/Agência Brasil)

Renato Meirelles ressaltou que a favela concentra diversas desigualdades sociais e muitas vezes o emprego formal não oferece oportunidades para que o morador desenvolva seu potencial. Nesse sentido, o empreendedorismo dentro das favelas se torna uma alternativa para que os moradores possam explorar suas habilidades e fazer com que o dinheiro circule dentro da própria comunidade.

A obtenção de crédito também se mostrou um desafio, pois 66% dos entrevistados relataram ter enfrentado dificuldades para consegui-lo, e cerca de um terço nunca sequer tentou buscar esse tipo de recurso. Caso os recursos estivessem disponíveis, os principais investimentos almejados pelos empreendedores seriam na divulgação do negócio, na aquisição de máquinas e equipamentos e na diversificação de seu portfólio de produtos e serviços.

No que diz respeito às vendas, apenas 17% dos empreendedores relataram um aumento nos últimos 12 meses, enquanto 48% sentiram que não houve alterações e 35% observaram uma diminuição. Apesar disso, as perspectivas para o futuro são positivas, com 73% dos entrevistados acreditando no crescimento de suas vendas nos próximos 12 meses, e 9 em cada 10 se declarando otimistas em relação ao futuro de seus negócios.

Celso Athayde, idealizador da Expo Favela Innovation, ressaltou a importância de enxergar as favelas não como regiões carentes, mas sim como grandes potências. Ele destacou que as favelas do Rio movimentam cerca de R$ 208 bilhões por ano e, portanto, é fundamental reconhecer o potencial dessas comunidades, não apenas focando nas suas necessidades. A Expo Favela Innovation surge como uma plataforma para impulsionar ainda mais esse potencial, permitindo também a conexão dos empreendedores das favelas com os empreendedores do asfalto.

A pesquisa foi conduzida com 1.674 moradores de favelas do Rio de Janeiro, entre os dias 20 de junho e 5 de julho de 2023. Os resultados indicam um cenário de desafios, mas também de otimismo e potencial para o crescimento do empreendedorismo nessas comunidades.

*Com informações da Agência Brasil.