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Em 2030 Ártico não deve ter mais gelo marinho; entenda o que está acontecendo

Um novo estudo publicado na renomada revista científica Nature Communications alertou para a possibilidade de o gelo marinho que cobre o oceano no círculo Ártico desaparecer completamente durante o verão até a década de 2030. Mesmo com esforços para reduzir as emissões de carbono, a recuperação da cobertura de gelo pode levar até duas décadas, de acordo com a pesquisa.
Publicado em Mundo dia 8/06/2023 por Alan Corrêa

Um novo estudo publicado na renomada revista científica Nature Communications alertou para a possibilidade de o gelo marinho que cobre o oceano no círculo Ártico desaparecer completamente durante o verão até a década de 2030. Mesmo com esforços para reduzir as emissões de carbono, a recuperação da cobertura de gelo pode levar até duas décadas, de acordo com a pesquisa.

O gelo marinho do Ártico desempenha um papel fundamental no equilíbrio do nosso planeta, ajudando a regular as temperaturas e contribuindo para a circulação de nutrientes nos oceanos. No entanto, nas últimas décadas, a extensão desse gelo na região do Polo Norte tem diminuído de forma constante. O que surpreendeu os cientistas é a perspectiva de meses inteiros sem gelo no Ártico já na próxima década.

O urso-polar, também conhecido como urso-branco, é uma espécie encontrada no círculo polar Ártico (Ansgar Walk)

Tradicionalmente, o gelo marinho no hemisfério norte se acumula durante os meses de inverno e começa a derreter no verão, alcançando sua mínima extensão anual em setembro. No entanto, as projeções agora indicam que o gelo poderá desaparecer completamente nesse mês a partir da próxima década.

A descoberta foi feita por uma equipe internacional de pesquisadores, liderada por Seung-Ki Min, da Universidade Pohang, na Coreia do Sul. Os cientistas utilizaram modelos climáticos e imagens de satélite do período entre 1979 e 2019 para analisar a situação do gelo marinho do Ártico. Os resultados indicam que mesmo com esforços para reduzir as emissões de gases de efeito estufa, a recuperação desse gelo enfrentará dificuldades.

Min explica que, uma vez que o oceano Ártico fique sem essa cobertura de gelo durante o verão, o processo de acumulação de gelo no inverno será muito mais lento. Portanto, mesmo com a redução das emissões hoje, a recuperação completa do gelo está prevista apenas para 2050. No entanto, é importante ressaltar que essa estimativa pressupõe um cenário otimista. Caso o planeta continue queimando combustíveis fósseis nos mesmos níveis atuais, a ausência de gelo pode se estender de agosto a outubro já na década de 2080.

Embora a tendência de desaparecimento do gelo marinho no Ártico durante o verão já fosse esperada pelos cientistas, ela era projetada para ocorrer em cenários de altas emissões, com um prazo estimado de pelo menos uma década a mais. Min destaca a importância de nos prepararmos para as consequências dessa antecipação, já que ela implica na ocorrência mais precoce de eventos climáticos extremos do que o previsto anteriormente.

*Com informações da Nature Communications, CNN e Terra.