Dono de Aston Martin Valkyrie processa marca após quase acidente e série de falhas graves

Durante o uso de um Aston Martin Valkyrie avaliado em R$ 17 milhões, um proprietário alemão enfrentou falhas técnicas que culminaram em um quase acidente com uma ambulância. Desde a entrega, o hipercarro apresentou defeitos elétricos, problemas na suspensão e erros operacionais. O motorista, que rodou apenas 441 km com o veículo, decidiu abrir processo contra a fabricante. A Aston Martin contesta as alegações e tenta levar o caso ao Reino Unido.
Publicado por Maria Eduarda Peres em Onde Assistir dia 26/06/2025

O sonho de ter um dos hipercarros mais sofisticados do planeta se transformou em uma dor de cabeça milionária para um comprador alemão. Dono de um Aston Martin Valkyrie avaliado em mais de R$ 17 milhões, o cliente entrou com uma ação judicial contra a fabricante britânica após uma sequência de problemas técnicos e de segurança que, segundo ele, inviabilizaram o uso do veículo.

Pontos Principais:

  • Proprietário de Aston Martin Valkyrie move ação judicial após falhas no veículo.
  • Entre os problemas estão pane elétrica, falha no som externo e suspensão instável.
  • Quase acidente com ambulância motivou interrupção do uso do hipercarro.
  • Aston Martin nega defeitos e busca transferir o processo da Alemanha para o Reino Unido.

Apesar de o carro ter rodado apenas 441 km desde sua entrega em 2022, o proprietário — identificado pelo pseudônimo Sebastian Kunze — alega que o modelo apresentou falhas elétricas recorrentes, defeitos em sistemas de suspensão e até riscos à segurança pessoal. O ponto mais crítico foi um quase acidente com uma ambulância: o sistema de captação de som externo, que deveria permitir ao motorista ouvir sirenes por meio de fones de ouvido, falhou durante a condução.

O dono de um Aston Martin Valkyrie entrou na Justiça após enfrentar falhas técnicas no hipercarro. Ele afirma que o modelo se tornou inseguro para uso após um incidente em 2024.
O dono de um Aston Martin Valkyrie entrou na Justiça após enfrentar falhas técnicas no hipercarro. Ele afirma que o modelo se tornou inseguro para uso após um incidente em 2024.

Hipercarro barulhento demais para as ruas

Projetado com tecnologia derivada da Fórmula 1, o Valkyrie impressiona pelos números: motor V12 aspirado de 6.5 litros, 1.160 cavalos de potência (com auxílio híbrido), aceleração de 0 a 100 km/h em 2,5 segundos e mais de 350 km/h de velocidade máxima. Mas com tamanho desempenho veio também o desafio de lidar com um nível extremo de ruído — tanto que o carro exige o uso de fones especiais para o condutor captar sons externos.

Segundo Kunze, essa solução falhou quando mais precisava: ao não ouvir a aproximação de uma ambulância, quase colidiu com o veículo de emergência. A fabricante, porém, minimizou o ocorrido, alegando que os sistemas funcionam conforme o previsto e que a condução do modelo exige cuidados específicos por se tratar de um hipercarro de engenharia complexa.

Disputa legal avança na Alemanha

O caso está sendo julgado em Aachen, na Alemanha, onde o cliente reside. A Aston Martin, no entanto, tenta transferir o processo para o Reino Unido, país de origem do veículo e local onde o contrato foi assinado. Enquanto isso, Kunze se recusa a usar o carro novamente desde o incidente e pede o reembolso integral do valor pago.

Outros pontos da ação incluem a retirada de um componente do sistema de suspensão sem autorização — o chamado “Rocket Locker” — e danos na carroceria durante um transporte autorizado pela marca. A Aston Martin nega responsabilidade sobre as falhas e, mesmo diante da possibilidade de recompra, exige o pagamento de cerca de R$ 300 mil pelo uso já feito do carro.

Valkyrie: luxo, exclusividade e (talvez) problemas

Limitado a apenas 150 unidades produzidas entre 2021 e 2024, o Aston Martin Valkyrie é um dos veículos mais raros da indústria automotiva moderna. Seu valor e desempenho o colocam entre os mais desejados do mundo, mas também levantam o debate sobre o quanto a sofisticação justifica falhas técnicas ou experiências frustrantes do consumidor.

O processo de Kunze pode abrir precedente para discussões sobre segurança, usabilidade e direitos do consumidor em veículos ultraluxuosos. Até o momento, o desfecho segue indefinido — e o hipercarro permanece parado na garagem.

Fonte: Xataka, Terra, AutoPapo, QuatroRodas e Pplware.