Discriminação contra pessoas LGBTQIA+ no mercado de trabalho persiste, afirma ONG

O gerente da Micro Rainbow Brasil, organização não governamental (ONG) afiliada à Micro Rainbow International, Lucas Paoli, destacou a existência de uma forte discriminação contra pessoas LGBTQIA+ no mercado de trabalho brasileiro, especialmente aquelas de baixa renda. A ONG é pioneira em iniciativas empreendedoras voltadas para essa comunidade.
Publicado em Trabalho dia 27/06/2023 por Alan Corrêa

O gerente da Micro Rainbow Brasil, organização não governamental (ONG) afiliada à Micro Rainbow International, Lucas Paoli, destacou a existência de uma forte discriminação contra pessoas LGBTQIA+ no mercado de trabalho brasileiro, especialmente aquelas de baixa renda. A ONG é pioneira em iniciativas empreendedoras voltadas para essa comunidade.

Paoli argumenta que as pessoas LGBTQIA+ de renda média ou alta têm acesso a uma formação de melhor qualidade e, consequentemente, maior qualificação profissional. No entanto, aqueles de baixa renda enfrentam barreiras significativas. A segurança psicológica é um fator crucial, pois muitas empresas não oferecem um ambiente acolhedor para pessoas LGBTQIA+, onde elas possam usar seu nome social e viver sua identidade de forma autêntica.

Segundo Paoli, o problema começa na escola, onde o bullying com altos índices de homofobia e transfobia leva a taxas elevadas de evasão escolar. Esse cenário cria diversas barreiras que afetam a entrada dessas pessoas no mercado de trabalho. A segurança psicológica no ambiente de trabalho é fundamental para garantir que ideias, preocupações e erros possam ser expressos sem medo de punição ou humilhação.

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Esses obstáculos têm um impacto negativo na produtividade dos trabalhadores LGBTQIA+. Paoli ressalta que a falta de um ambiente psicologicamente seguro reflete diretamente na eficácia do trabalho, na liderança e na permanência dessas pessoas nas empresas. Ele observa que algumas empresas abrem vagas para a população LGBTQIA+, mas não garantem sua inclusão efetiva, uma vez que ainda prevalecem ambientes homofóbicos e transfóbicos.

Paoli destaca a escassez de pessoas LGBTQIA+ em cargos de liderança, geralmente ocupados por homens gays brancos. Ele ressalta a importância de educar os funcionários e criar um ambiente diverso e inclusivo, começando desde a infância, para que a sociedade seja refletida no mercado de trabalho.

O gerente da Micro Rainbow Brasil enfatiza a necessidade de empresas estabelecerem um código de conduta que combata claramente a homofobia e a transfobia, além de criar grupos de afinidade para trabalhadores LGBTQIA+. Outras políticas importantes incluem a inclusão de parceiros LGBTQIA+ em benefícios e o apoio constante a eventos LGBTQIA+, não apenas durante o Mês do Orgulho LGBT. Paoli também incentiva empresas a apoiarem financeiramente projetos de ONGs que trabalham com ações sociais para a comunidade LGBTQIA+.

No âmbito da linguagem inclusiva, o Sebrae RJ promove uma palestra sobre o tema no Dia do Orgulho LGBTQIA+, com o objetivo de conscientizar o ambiente corporativo sobre a importância de uma linguagem inclusiva. O evento é gratuito e aberto ao público, visando fornecer alternativas de inserção dessas pessoas no mercado de trabalho, considerando as restrições existentes para sua contratação.

*Com informações da Agência Brasil.