Como são chamados os fãs da Lady Gaga? Monstrinhos: a origem e evolução dos fãs da cantora Lady Gaga

No Rio para show gratuito, Lady Gaga reencontra os little monsters, fãs que desde 2009 cultivam uma relação baseada em símbolos e afeto. O termo nasceu em um show e se consolidou com o manifesto, tatuagens, rede social e rituais nos palcos. Gaga os chama de reis e rainhas, enquanto ela se vê como bobo da corte. O gesto “paws up” virou saudação oficial. Hoje, essa conexão representa uma das mais duradouras e simbólicas relações entre artista pop e público.
Publicado por Alan Correa em Entretenimento dia 2/05/2025

Lady Gaga desembarcou no Rio de Janeiro no dia 29 de abril de 2025 para uma apresentação gratuita em Copacabana, cuja expectativa é de atrair 1,6 milhão de pessoas. Desde a manhã da terça-feira anterior, dezenas de fãs já se concentravam nas imediações do hotel Copacabana Palace, onde a artista está hospedada. A movimentação aumenta progressivamente à medida que se aproxima o sábado, data do espetáculo marcado para o Posto 2 da orla carioca.

Pontos Principais:

  • Lady Gaga criou o termo little monsters em 2009 durante uma turnê.
  • O apelido evoluiu para uma identidade simbólica e afetiva entre artista e fãs.
  • Gaga lançou o manifesto dos fãs e gestos como o “paws up”.
  • Houve tatuagens, criação de rede social e áreas exclusivas nos shows.

Os fãs que aguardam Gaga têm um nome que se tornou parte fundamental de sua trajetória: “little monsters”, ou “monstrinhos”, em português. O termo foi criado pela própria cantora e se estabeleceu como uma identidade para o público que a acompanha. A origem da expressão está diretamente ligada à forma como a artista percebeu a relação com seus espectadores ainda em 2009, durante as apresentações da turnê do álbum “The Fame”.

Lady Gaga nomeou seus fãs de little monsters em 2009 e o termo deixou de ser apelido para se tornar símbolo de pertencimento com gestos, tatuagens e até manifesto oficial - Foto: TJ Sengel / Flickr
Lady Gaga nomeou seus fãs de little monsters em 2009 e o termo deixou de ser apelido para se tornar símbolo de pertencimento com gestos, tatuagens e até manifesto oficial – Foto: TJ Sengel / Flickr

Na época, Gaga se referia aos fãs como “my little monsters” por conta do comportamento intenso e expressivo que presenciava em seus shows. Os fãs se destacavam por dançar, gritar e reagir com energia, o que evocava, na percepção da cantora, imagens de criaturas ferozes. O apelido passou de brincadeira ocasional para uma construção simbólica da base de admiradores, transformando o termo em uma forma de identificação coletiva.

Construção de uma comunidade

O termo “little monsters” não apenas nomeou os fãs, mas deu origem a uma relação com múltiplas camadas entre Gaga e seu público. A cantora passou a ser chamada de “Mother Monster”, um apelido cunhado por uma fã em Chicago e prontamente adotado por ela. A troca de gestos e referências entre artista e plateia se intensificou com o lançamento da edição deluxe do álbum “The Fame Monster”, que incluiu o “Manifesto of Little Monsters”.

Nesse documento, Gaga constrói uma metáfora onde seus fãs são reis e rainhas de um reino, e ela ocupa o papel de um bobo da corte devotado. O texto expressa a centralidade dos fãs na construção do universo simbólico da artista. Partes do manifesto foram utilizadas como introdução nos shows da turnê Monster Ball, a primeira a levar o nome inspirado diretamente nessa identidade.

Ao longo das turnês seguintes, gestos visuais passaram a fazer parte da comunicação com o público. Um exemplo é o movimento de mão em forma de garra, adotado inicialmente no clipe de “Bad Romance” e incorporado aos shows com o grito “paws up” (patas para cima), que passou a ser respondido em coro pela plateia.

Expansão da presença simbólica

Além dos gestos e do manifesto, a artista levou a identificação com seus fãs para outras esferas. Em 2010, Lady Gaga fez a primeira tatuagem relacionada ao público, escrevendo “Little Monsters” no braço esquerdo, o mesmo que segura o microfone. Em 2014, tatuou uma “monster paw” nas costas, consolidando a imagem como símbolo da conexão entre artista e público.

No campo digital, Gaga criou uma rede social própria chamada LittleMonsters.com, cujo objetivo era reunir fãs do mundo todo. A plataforma permitia a troca de mensagens, compartilhamento de conteúdos criativos e interação direta com a cantora. A iniciativa ampliou a ideia de comunidade para o ambiente online, gerando um espaço exclusivo para quem se identifica com o universo estético e conceitual da artista.

Durante a turnê Born This Way Ball, Gaga também instituiu o “Monster Pit”, uma área próxima ao palco dedicada aos fãs mais engajados, frequentemente vestidos com fantasias. A cada show, a cantora coroava simbolicamente um rei ou uma rainha desse espaço, com direito a acesso ao palco ou ao camarim, fortalecendo a interação pessoal e a experiência emocional entre ela e o público.

Relação afetiva e continuidade

Lady Gaga se refere aos little monsters em entrevistas, premiações e declarações públicas com frequência. Em sua fala mais recente, ao receber um prêmio, agradeceu diretamente aos fãs por terem lhe permitido desenvolver sua própria visão de si. Segundo suas palavras, o apoio desde o álbum de estreia até o mais recente a ajudou a se enxergar com clareza.

A relação com os monstrinhos também se manifestou na música. A canção “Born This Way” foi dedicada por Gaga aos fãs, em uma alusão direta ao orgulho de ser diferente. Muitos dos que se identificam como little monsters relatam encontrar na comunidade um espaço seguro para expressar sua individualidade, onde características tidas como estranhas são celebradas em vez de ocultadas.

Ao longo dos anos, outros artistas adotaram estratégias semelhantes, como batizar seus grupos de fãs com nomes específicos. No entanto, Gaga é amplamente reconhecida como a pioneira na construção desse tipo de vínculo no Ocidente. A relação estabelecida com os little monsters permanece como parte integral da identidade artística da cantora.

Manifesto dos Little Monsters

Há algo de heroico na maneira como meus fãs operam suas câmeras. Tão precisamente e intrincadamente, tão orgulhosamente e metodicamente. Como reis escrevendo a história de seu povo. É a natureza prolífica deles que tanto cria quanto adquire o que mais tarde será percebido como o “reino”. Assim, a verdadeira verdade sobre os fãs da Lady Gaga reside neste sentimento: Eles são os reis. Eles são as rainhas. Eles escrevem a história do reino, enquanto eu sou algo como um bobo da corte devotado.

É na teoria da percepção que estabelecemos nosso vínculo. Ou, a mentira, devo dizer, pela qual matamos. Não somos nada sem nossa imagem. Sem nossa projeção. Sem o holograma espiritual de quem percebemos ser, ou melhor, de quem aspiramos nos tornar, no futuro.

Quando você estiver sozinho, eu também estarei sozinha,

E isso é a fama.

Amor e arte.

12-18 1974

Lady Gaga

Fonte: Itatiaia, G1 e Wikipedia.

Alan Correa
Alan Correa
Sou jornalista desde 2014 (MTB: 0075964/SP), com foco em reportagens para jornais, blogs e sites de notícias. Escrevo com apuração rigorosa, clareza e compromisso com a informação. Apaixonado por tecnologia e carros.