Com focinho para fora do gelo, jacarés entram em brumação e “viram picolés” no inverno dos EUA

Enquanto o gelo cobre os lagos da Carolina do Norte e do Texas, jacarés ficam imóveis sob a superfície congelada, deixando apenas o focinho para fora para respirar. Essa adaptação surpreendente é chamada de brumação, uma dormência metabólica típica de répteis que os ajuda a sobreviver ao frio intenso. Apesar da aparência congelada, eles não estão mortos, apenas desaceleram o corpo até que o clima permita voltar à atividade normal.
Publicado por Maria Eduarda Peres em Onde Assistir dia 11/06/2025

Nos meses mais frios do inverno no hemisfério norte, as imagens de jacarés paralisados sob lagos congelados viralizaram nas redes sociais. Com o focinho levemente acima da camada de gelo, eles parecem estáticos, quase esculpidos em uma escultura natural. A cena rendeu o apelido bem-humorado de “picolés de jacaré”. Mas por trás do fenômeno curioso há um processo biológico sofisticado: a brumação.

Pontos Principais:

  • Jacarés nos EUA entram em brumação durante o inverno rigoroso.
  • O processo reduz o metabolismo e permite que sobrevivam sob o gelo.
  • Os animais mantêm o focinho para fora da água para continuar respirando.
  • A brumação pode durar até cinco meses, entre novembro e fevereiro.
A brumação pode durar até cinco meses, dependendo da temperatura. Mesmo parecendo congelados, esses animais estão vivos e prontos para voltar à atividade quando o calor retorna.
A brumação pode durar até cinco meses, dependendo da temperatura. Mesmo parecendo congelados, esses animais estão vivos e prontos para voltar à atividade quando o calor retorna.

Diferente da hibernação — que ocorre em mamíferos como ursos —, a brumação é uma estratégia exclusiva de répteis. Ela consiste em uma desaceleração controlada das funções vitais: metabolismo, frequência cardíaca e digestão. Durante esse estado, o animal permanece vivo, mas em repouso profundo, economizando energia até que as temperaturas voltem a subir.

O comportamento foi observado em estados do sul dos EUA, como a Carolina do Norte e o Texas, onde os termômetros chegaram a registrar -8 °C nas últimas semanas. Os jacarés submergiram parcialmente, com apenas o “nariz” acima da superfície congelada, garantindo o acesso ao oxigênio. O Serviço Florestal dos EUA e o Aquário da Carolina do Sul confirmaram que essa adaptação é conhecida e monitorada na natureza.

A escolha do local para brumar é estratégica: os répteis precisam garantir que o ponto onde emergem as narinas não seja totalmente coberto pelo gelo. Isso os obriga a prever onde e como o lago irá congelar — uma habilidade desenvolvida por gerações de sobrevivência em climas variáveis.

Durante esse período, os batimentos cardíacos dos jacarés podem cair para apenas três por minuto, segundo observações feitas por centros de resgate como o Texas Gator Country. Mesmo em repouso, os animais consomem água e mantêm uma mínima atividade celular, evitando a completa desidratação e a morte celular por congelamento.

O processo, que costuma durar entre quatro a cinco meses — de novembro ao fim de fevereiro —, depende da intensidade do frio e da sua duração. Segundo o ecologista Eric Nordberg, da Universidade da Nova Inglaterra, a variação climática impacta diretamente o tempo de permanência dos animais nesse estado.

A divulgação do fenômeno ganhou impulso após vídeos no TikTok mostrarem jacarés em lagos congelados. O conteúdo chamou atenção não apenas de curiosos, mas também de especialistas, reforçando a importância da educação ambiental e da ciência acessível.

Embora o termo “jacaré” seja utilizado popularmente, os animais observados nos EUA pertencem ao gênero Alligator. A confusão entre crocodilos e jacarés é comum, mas trata-se de espécies distintas com habitats e comportamentos diferentes.

Por fim, o fenômeno da brumação dos jacarés reforça o quanto os répteis são adaptáveis e resilientes frente às mudanças ambientais. Num mundo que enfrenta extremos climáticos cada vez mais frequentes, observar tais estratégias naturais pode trazer insights para a ciência e a conservação das espécies.

Fonte: Super e Uol.