O colesterol é um tipo de gordura essencial para a manutenção de funções vitais no corpo humano. Ainda assim, quando presente em níveis elevados, ele representa uma ameaça silenciosa que pode comprometer o funcionamento de órgãos e aumentar o risco de complicações cardiovasculares.
Pontos Principais:

Boa parte do colesterol é produzido pelo próprio organismo, em especial pelo fígado, enquanto outra parcela é adquirida através da alimentação. O equilíbrio entre esses dois fatores determina a presença de riscos à saúde. O desafio está no fato de que a hipercolesterolemia geralmente se desenvolve sem qualquer sintoma evidente, dificultando o diagnóstico precoce.
Com o aumento da incidência de doenças cardiovasculares no Brasil e no mundo, profissionais da saúde têm enfatizado a importância do controle dos níveis de colesterol desde a juventude. A identificação precoce e a adoção de medidas corretivas podem reduzir consideravelmente a chance de infartos, AVCs e outros desfechos graves.
O colesterol está envolvido em funções essenciais como a produção de hormônios, a composição da membrana celular e a síntese de vitamina D. Ele circula na corrente sanguínea transportado por lipoproteínas, classificadas em três tipos: LDL, HDL e VLDL.
O LDL transporta o colesterol do fígado para os tecidos, podendo se acumular nas paredes das artérias e formar placas. Já o HDL atua na direção oposta, removendo o excesso de colesterol dos tecidos e levando-o de volta ao fígado. O VLDL, por sua vez, é responsável pelo transporte de triglicerídeos e também pode contribuir para o entupimento de vasos.
Os valores de referência variam conforme o perfil de risco do paciente, mas de modo geral, recomenda-se manter o colesterol total abaixo de 190 mg/dL, o LDL abaixo de 130 mg/dL, o HDL acima de 40 mg/dL e o VLDL abaixo de 30 mg/dL.
As causas do colesterol elevado são multifatoriais e envolvem aspectos genéticos, comportamentais e clínicos. Entre os fatores mais recorrentes estão:
Casos de hipercolesterolemia familiar também devem ser considerados, já que mutações genéticas podem provocar níveis extremamente altos de colesterol já na infância.
Na maioria dos casos, o colesterol elevado não apresenta sintomas perceptíveis. Mesmo assim, algumas manifestações físicas podem surgir em estágios avançados, como:
A ausência de sinais claros faz com que o diagnóstico dependa de exames laboratoriais, sendo o lipidograma o principal recurso para medir LDL, HDL, VLDL, triglicerídeos e colesterol total.
O diagnóstico é feito a partir de um exame de sangue, solicitado por médicos clínicos ou cardiologistas. O lipidograma é recomendado com frequência a partir dos 30 anos, principalmente para pessoas com histórico familiar de doenças cardiovasculares, fumantes, diabéticos e hipertensos.
A interpretação dos resultados deve considerar o risco individual de cada paciente. O colesterol total acima de 190 mg/dL e LDL acima de 130 mg/dL já indicam necessidade de acompanhamento e, possivelmente, intervenção.
Em casos de colesterol persistentemente elevado, outros exames complementares podem ser indicados para avaliar o estado das artérias e a presença de depósitos de gordura.
Com o tempo, o acúmulo de colesterol LDL nas paredes arteriais pode provocar estreitamento dos vasos, dificultando a circulação e elevando o risco de eventos cardiovasculares graves.
As principais consequências do colesterol alto incluem:
Há também risco de formação de trombos caso fragmentos das placas se soltem, o que pode levar a eventos súbitos e fatais.
O controle do colesterol deve envolver um plano individualizado, que una mudanças de estilo de vida e, se necessário, medicamentos. As medidas iniciais incluem:
Apenas a alimentação pode não ser suficiente para manter os níveis sob controle em casos moderados ou graves.
Quando as mudanças no estilo de vida não são suficientes, os médicos podem prescrever estatinas e outros medicamentos hipolipemiantes. As drogas mais comuns são:
A prescrição depende de um cálculo de risco que considera idade, histórico clínico e fatores como tabagismo e pressão alta.
Além dos medicamentos convencionais, alguns suplementos e chás têm sido utilizados como complemento, embora sua eficácia dependa da regularidade e do perfil de cada paciente.
Entre os produtos naturais com potencial ação redutora estão:
É fundamental que o uso dessas alternativas seja orientado por um profissional de saúde e não substitua o tratamento médico convencional.
Controlar o colesterol é uma tarefa contínua. Exige disciplina com exames, avaliações periódicas e ajustes no tratamento. Pessoas com histórico familiar de doenças cardiovasculares devem manter atenção redobrada mesmo na ausência de sintomas.
O acompanhamento médico é essencial para ajustar estratégias e identificar, com antecedência, alterações que possam comprometer a saúde cardiovascular. A prevenção, nesse caso, é o caminho mais eficaz.
Sim. O colesterol elevado é um dos fatores que mais contribuem para a mortalidade por doenças cardíacas e cerebrais. Sua ação silenciosa e cumulativa o torna especialmente perigoso, pois os danos podem surgir após anos sem manifestações visíveis.
Por isso, mais do que reagir aos sintomas, a abordagem ideal envolve prevenção, rastreamento contínuo e adesão a um estilo de vida equilibrado.
Fonte: Seleções Reader’s Digest, Sergiofranco, TuasaudeGov.