Barbearias ao redor do mundo mantêm um símbolo que atravessa séculos de mudanças profissionais e culturais: o poste giratório colorido. Embora sua presença nas fachadas seja comum, sua origem está ligada a práticas bem mais amplas do que apenas cortar cabelo e aparar barba. O objeto se consolidou como um marco visual de um ofício que já foi essencial em procedimentos médicos básicos durante a Idade Média.
Pontos Principais:
Em cidades grandes e pequenas, o poste com listras vermelhas, brancas e azuis chama a atenção, mas poucos conhecem a história por trás do design espiralado e da rotação contínua. Ele é a herança visual de um tempo em que barbeiros eram responsáveis por cirurgias, extração de dentes e sangrias. Ainda hoje, a figura continua a girar, carregando um passado de utilidade pública e tradição.
Este artigo explora de forma detalhada como o símbolo nasceu, o que representam suas cores, por que se move e qual seu papel nas barbearias contemporâneas. A seguir, cada etapa dessa evolução é explicada para compreender como um pano manchado de sangue virou um dos ícones visuais mais reconhecíveis do comércio urbano.

Na Europa medieval, barbeiros ocupavam funções para além do embelezamento masculino. A falta de médicos suficientes fazia com que profissionais da barba assumissem atividades como pequenas cirurgias, sangrias para alívio de doenças e extração de dentes. Para indicar aos clientes esses serviços, panos ensanguentados eram torcidos e pendurados na entrada da barbearia.
Com o passar do tempo, os panos foram substituídos por bastões listrados em madeira, reforçando o visual das faixas enroladas que eram giradas ao vento. Esses bastões evoluíram para um cilindro metálico fixado nas fachadas e, por fim, para o poste giratório iluminado que se popularizou já no século XX.
O costume tornou-se tão difundido que, em países como a Inglaterra, leis locais chegaram a regulamentar o uso do poste para diferenciar estabelecimentos autorizados a operar. Em outras regiões, a prática manteve-se de forma mais espontânea, mas sempre carregando o simbolismo associado à prestação de cuidados básicos de saúde.

O design do poste não é apenas decorativo. Cada uma das cores tem relação direta com as funções históricas dos barbeiros cirurgiões. O vermelho representa o sangue retirado durante as sangrias e pequenas operações. O branco simboliza as ataduras usadas para conter o sangramento após os procedimentos.
Já a cor azul, incorporada mais tarde nos Estados Unidos, é associada às veias ou surgiu para diferenciar o modelo americano do europeu. A espiral criada pelas cores remete à aparência dos tecidos torcidos à mão na frente da loja, sinalizando que o serviço estava disponível.
Mesmo após a profissionalização e a separação entre médicos e barbeiros, a combinação das cores permaneceu, consolidando-se como um elemento visual imediatamente reconhecível.
O movimento giratório do poste não fazia parte dos primeiros modelos. Ele foi implementado como estratégia para chamar a atenção em áreas comerciais cada vez mais movimentadas. A rotação cria uma ilusão contínua das listras espirais em movimento, reforçando a memória visual de panos torcidos.
Essa rotação também ajuda o estabelecimento a se destacar, mesmo à distância, especialmente em ruas congestionadas. A iluminação, muitas vezes combinada ao movimento, transforma o poste em um sinal visível tanto de dia quanto à noite.
A tecnologia aplicada aos postes modernos mantém essa função prática: atrair clientes e manter a tradição em evidência.
O Barber Pole ultrapassou a estética das barbearias para se tornar um objeto de coleção e estudo. Nos Estados Unidos, há um museu dedicado à história do poste, localizado em Ohio. Ele guarda exemplares históricos de diferentes épocas e modelos.
Em alguns países, o objeto chegou a ser adotado por outros setores. Na Austrália, por exemplo, muitos postos policiais mantinham postes semelhantes por estarem localizados ao lado de barbearias. No Japão, farmácias também utilizavam postes listrados para indicar serviços médicos.
Essas adaptações mostram como o objeto conseguiu dialogar com diferentes culturas mantendo seu apelo simbólico intacto.

Mesmo que as funções médicas tenham sido abandonadas, o Barber Pole ainda é visto como sinônimo de barbearia tradicional. Em muitas cidades, a ausência do poste pode até gerar estranhamento entre os clientes que o associam à autenticidade do serviço.
Para donos de barbearia, manter o símbolo é um gesto de respeito à história e um diferencial estético em meio à modernização do setor. Em datas comemorativas, como o Dia Internacional do Barbeiro, desfiles em cidades históricas celebram o símbolo, reforçando sua relevância cultural.
Nas metrópoles, modelos iluminados e automatizados continuam a girar, mostrando que a tradição ainda encontra espaço mesmo diante das novas tendências de design.
Fonte: Correiobraziliense Barbearianordus e Correiobraziliense.