O sonho de ver Carlo Ancelotti como técnico da Seleção Brasileira foi, mais uma vez, enterrado. Após dois anos de idas e vindas, negociações veladas e promessas públicas, a CBF esbarrou em dois obstáculos intransponíveis: Florentino Pérez e a Arábia Saudita.
Pontos Principais:

O presidente do Real Madrid, incomodado com a exposição midiática do caso, se recusou a liberar Ancelotti sem que o treinador abrisse mão de cerca de €25 milhões em salários pendentes. O italiano, por sua vez, manteve-se firme em seus direitos contratuais e evitou qualquer atitude que pudesse comprometer sua imagem no clube.
A pressão aumentou após veículos espanhóis confirmarem a presença de intermediários brasileiros no Santiago Bernabéu. O episódio culminou com a irritação de Florentino e o esfriamento definitivo das tratativas com a CBF. Mesmo com a derrota recente na Copa do Rei e uma campanha abaixo do esperado em La Liga, o clube optou por não facilitar a saída do técnico antes do Mundial de Clubes.
Em paralelo, a movimentação do mercado árabe também impactou diretamente. Al Hilal e Al Ahli ofereceram cifras na casa dos 50 milhões de euros por temporada — valor três vezes maior do que a CBF estava disposta a pagar. O assédio financeiro somado à dificuldade de romper com o Real selou a recusa definitiva de Ancelotti.
A CBF, agora pressionada pelo calendário das Eliminatórias, precisa agir rápido. Com jogos contra Equador e Paraguai marcados para junho, o presidente Ednaldo Rodrigues convocou uma última reunião com os representantes de Ancelotti, tratando o encontro como um ultimato — que, na prática, fracassou.
A partir desse ponto, Jorge Jesus, que já era o plano B da confederação, voltou à cena com força. Livre no mercado após eliminação com o Al Hilal, o treinador português demonstrou interesse imediato e deve ser anunciado nos próximos dias.
Jesus, que tem apoio de parte da torcida e já conhece o ambiente do futebol brasileiro, agrada à CBF por sua prontidão e histórico de conquistas. A entidade pretende evitar uma nova novela, optando por uma solução rápida e pragmática.
A decisão também reflete o desejo de reestabelecer a confiança com torcedores e dirigentes, após duas frustrações consecutivas com o mesmo nome. A Seleção, que vive fase instável, precisa de um comandante definido para iniciar o novo ciclo rumo à Copa de 2026.
Enquanto Ancelotti segue sua trajetória europeia, a CBF muda de rota mais uma vez. O que era um plano ideal agora cede espaço à urgência, e Jorge Jesus pode ser o nome que reequilibrará a caminhada da Seleção nas Eliminatórias.