Alice no País das Maravilhas é uma animação lançada pela Disney e parte do catálogo de clássicos do estúdio. Embora o filme não tenha sido um sucesso imediato no ano de sua estreia, com o passar das décadas passou a ocupar lugar de destaque na memória popular. Hoje é um dos títulos mais revisitados da Disney, seja pela história peculiar, seja pelo impacto visual característico da produção.
Pontos Principais:
O enredo acompanha Alice, uma menina de aproximadamente 8 anos que, ao seguir um coelho branco, cai na toca dele e se vê em um universo diferente, chamado País das Maravilhas. O filme é lembrado por cenas que causam estranhamento no espectador, além de um tom desconfortável em alguns momentos. As interpretações para a história ganharam força com o tempo, gerando teorias que propõem explicações alternativas para os acontecimentos narrados.
Entre as leituras mais conhecidas estão a hipótese de que Alice experimenta uma projeção espiritual fora do corpo, e a de que ela está internada em uma instituição psiquiátrica, sendo tudo fruto da sua mente. Ambas tentam atribuir significado a um filme que apresenta uma sequência de eventos aparentemente sem lógica ou conexão.
Uma das teorias discutidas sobre a animação considera que Alice, ao adormecer na árvore, entra em estado de projeção espiritual. Segundo essa hipótese, a consciência da menina se desprende do corpo físico e passa a percorrer um plano extrafísico, vivenciando experiências que não seriam possíveis no estado acordado.
O comportamento do gato, que interage com Alice no início, mas não a acompanha na queda, é interpretado como sinal de que ele também percebe o limiar entre os planos. Os objetos flutuantes no início da descida são vistos como representações de memórias ou energias não materializadas, reforçando a ideia de que ela não está em um espaço físico convencional.

No decorrer da história, personagens como a Lagarta e o Gato Sorridente são vistos como guias espirituais ou entidades zombeteiras, que questionam a identidade de Alice e a confundem. Ao final, quando a protagonista observa seu próprio corpo, a teoria da projeção ganha força, já que esse é um relato comum entre pessoas que dizem ter experiências extracorpóreas.
Outra leitura comum do filme é a de que Alice está internada em um hospício. Nesta interpretação, os eventos que ela vivencia seriam efeitos colaterais dos remédios e do ambiente psiquiátrico, manifestados por sua mente como metáforas. A descida pela toca seria o início do estado de delírio.
Os líquidos e comidas que fazem Alice crescer ou diminuir são entendidos como medicações ministradas para controlar seu comportamento. A chave e a porta seriam símbolos do desejo dela de sair da instituição, condicionada a aceitar as medicações. As conversas com personagens que têm lógica distorcida seriam manifestações de outros pacientes.
A figura da Lagarta é associada a um psiquiatra que a questiona constantemente para avaliar seu estado. A Rainha de Copas, por sua vez, é interpretada como a diretora da instituição, interessada em mantê-la internada. Esse cenário também explica o tom progressivamente mais escuro e o sentimento de alienação que perpassa a narrativa.
Algumas cenas específicas do filme receberam atenção especial por parte das teorias. A história das ostras, contada pelos irmãos Tweedledee e Tweedledum, remete a crianças que foram enganadas e sofreram consequências, deixando apenas cascas vazias. Essa leitura reforça o tom de alerta e desconforto da história.
A sequência do chá com o Chapeleiro e a Lebre é interpretada como a confusão mental e a dificuldade de Alice em manter o foco e se alimentar. A persistência do coelho branco em aparecer pode ser entendida como o gatilho inicial de sua condição ou delírio.
No final, a protagonista rejeita seguir o coelho, indicando que começa a recuperar a lucidez ou a consciência. A visão do próprio corpo e o desaparecimento dos elementos do País das Maravilhas encerram a história com a sugestão de retorno ao estado normal ou de despertar.
O impacto cultural de Alice no País das Maravilhas se manteve ao longo das gerações, mas o tom do filme fez com que ele fosse recebido de formas diferentes entre públicos mais jovens e adultos. A narrativa e os elementos simbólicos despertam interpretações complexas que não se esgotam na superfície da trama.
Espectadores mais novos tendem a perceber a história como confusa ou perturbadora, enquanto gerações que cresceram com o filme tendem a valorizar sua criatividade e suas possibilidades de interpretação. As duas teorias principais, embora divergentes, encontram respaldo em cenas-chave do filme.
O filme permanece sendo objeto de estudos e discussões, tanto em análises culturais quanto em leituras psicológicas ou espirituais, mantendo sua relevância décadas após o lançamento.
Fonte: Aminoapps, Megacurioso, Gauchazh, G1 e Bbc.