Alerta sanitário no Peru preocupa o Brasil? Entenda a Síndrome de Guillain Barré

O Ministério da Saúde anunciou hoje que está acompanhando a situação de emergência sanitária causada pela Síndrome de Guillain Barré no Peru. De acordo com o ministério, a doença não é transmitida de pessoa para pessoa, o que indica um baixo risco para o Brasil.
Publicado em Saúde dia 11/07/2023 por Alan Corrêa

O Ministério da Saúde anunciou hoje que está acompanhando a situação de emergência sanitária causada pela Síndrome de Guillain Barré no Peru. De acordo com o ministério, a doença não é transmitida de pessoa para pessoa, o que indica um baixo risco para o Brasil.

No último sábado, o Peru declarou emergência nacional por 90 dias devido ao aumento de casos da doença. Até o momento, foram registrados 182 casos em 2023, dos quais 31 pacientes estão hospitalizados, 147 receberam alta e quatro faleceram em decorrência da doença.

O Peru faz fronteira com o Acre e o Amazonas, e o Ministério da Saúde esclareceu que não é necessário restringir o turismo, o comércio ou a circulação de pessoas. Em comunicado enviado à Agência Brasil, o ministério informou que está enviando uma nota técnica às secretarias estaduais de saúde reforçando que o risco atual para o país é baixo.

O que é a Síndrome de Guillain Barré?

Bactéria Campylobacter jejuni, que desencadeia cerca de 30% dos casos de síndrome de Guillain-Barré
Bactéria Campylobacter jejuni, que desencadeia cerca de 30% dos casos de síndrome de Guillain-Barré

De acordo com o Ministério da Saúde do Brasil, a Síndrome de Guillain Barré é uma doença autoimune relativamente rara que afeta o sistema nervoso periférico. Embora possa ser desencadeada por vários fatores, cerca de 75% dos casos estão associados a infecções. A síndrome não é de notificação obrigatória no Brasil, mas surtos epidêmicos são monitorados. Em 2015, houve um surto da doença na Bahia.

Tanto bactérias quanto vírus podem desencadear a Síndrome de Guillain Barré, e os sintomas podem ocorrer durante a fase aguda da infecção ou após a recuperação do paciente. A síndrome já foi associada a bactérias causadoras de diarreia e a infecções virais, como dengue, zika, chikungunya, citomegalovírus, Epstein-Barr, sarampo, influenza A, enterovírus D68, hepatite A, B e C, HIV, entre outros.

No Peru, a doença causou um surto em 2019, com 900 casos associados à presença da bactéria Campylobacter jejuni, causadora de diarreia. Em 2020, foram registrados 448 casos, em 2021 foram 210 casos e, em 2022, um total de 225 casos. Até o momento, a causa do surto atual no Peru ainda não foi determinada.

Sintomas e complicações

O primeiro sintoma frequentemente relatado por pacientes com Guillain Barré é a sensação de dormência ou queimação nos pés e pernas, que pode se estender para as mãos e braços. Em seguida, os pacientes começam a sentir fraqueza progressiva que pode afetar a cabeça e o pescoço. A gravidade dos sintomas pode variar, podendo levar à paralisia dos quatro membros.

Outros sintomas da doença incluem sonolência, confusão mental, convulsões, perda de coordenação muscular, visão dupla, fraqueza facial, tremores, redução ou perda de tônus muscular e coceira nos membros.

Os pacientes com esses sintomas devem procurar atendimento médico imediato, e o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece centros de reabilitação e um Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para a Síndrome de Guillain Barré.

A complicação mais grave da doença ocorre quando a fraqueza e a paralisia atingem os músculos respiratórios, o que pode exigir suporte respiratório para evitar o óbito, uma vez que coração e pulmões deixam de funcionar.

Danos neurológicos e sequelas

Raquel Stucchi, consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia e professora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), explica que o diagnóstico e o tratamento da doença requerem um sistema de saúde bem estruturado. É necessário descartar outras hipóteses, como a poliomielite, e iniciar o tratamento rapidamente para prevenir sequelas graves.

Quando diagnosticada precocemente ou em formas leves, a recuperação dos pacientes costuma ser boa, sem sequelas. No entanto, casos graves podem deixar sequelas, como a paraplegia, que podem ocorrer independentemente da causa infecciosa. A doença também pode ocorrer de forma autoimune, sem estar associada a nenhuma infecção.

Após o início do tratamento, a maioria dos pacientes começa a recuperar a força e a sensibilidade dos membros em poucos dias, e a alta hospitalar ocorre em menos de três semanas. No entanto, casos graves podem requerer internações mais prolongadas.

Stucchi explica que, se a causa do surto no Peru for a mesma bactéria associada ao surto de 2019, o risco para o Brasil é baixo. Ela também menciona que o Peru apresenta um alto número de casos de dengue, doença que também já foi associada à síndrome e pode estar contribuindo para a atual emergência sanitária.

A infectologista destaca que surtos da Síndrome de Guillain Barré associados a um agente infeccioso podem indicar uma alta incidência desse agente na população, o que pode ser difícil de perceber quando as infecções não causam sintomas graves que levem as pessoas infectadas a procurar atendimento médico.

*Com informações do G1 e Agência brasil.