O voo das aves sempre despertou curiosidade e estudo. A capacidade de se manter no ar, cruzando grandes distâncias e enfrentando condições atmosféricas extremas, tornou-se objeto de pesquisas que vão da biologia à engenharia. Algumas espécies, no entanto, superam as expectativas do que se entende como limite natural.
Pontos Principais:
Há registros de aves que voam mais alto do que montanhas, alcançando altitudes próximas àquelas de voos comerciais. Embora muitos pássaros tenham sido observados em altitudes elevadas durante migrações, apenas uma espécie foi confirmada em uma zona de voo onde a pressão atmosférica é extremamente baixa, tornando a respiração um desafio fisiológico.

A ave que detém o recorde mundial de altitude em voo é o grifo-de-Rüppell. A espécie foi identificada a uma altura que ultrapassa até mesmo o cume do Monte Everest. Este registro se deu por um acidente envolvendo uma aeronave, fato que levou pesquisadores a investigar mais profundamente as características biológicas e comportamentais desse animal.
O grifo-de-Rüppell (Gyps rueppelli) é uma ave de rapina de grande porte, nativa do continente africano. Pode atingir cerca de um metro de comprimento, e sua envergadura pode chegar a quase três metros. O peso médio da espécie varia entre 7 e 9 quilos, e a expectativa de vida estimada gira em torno de 40 a 50 anos.
A coloração dessa ave inclui tons de marrom, preto e cinza, com destaque para a plumagem branca que se concentra ao redor do pescoço e na parte inferior do corpo. Os olhos costumam ter tonalidade amarelada. A cabeça apresenta escassez de penas, o que facilita a limpeza após a alimentação, uma característica comum entre espécies necrófagas.
Machos e fêmeas apresentam características visuais semelhantes. O bico mais claro costuma ser reconhecido por outras aves como sinal de ameaça. O grifo-de-Rüppell é considerado um animal necrófago, alimentando-se principalmente de carcaças, o que contribui para o equilíbrio ecológico de seus habitats.
A espécie é encontrada em diversos países do continente africano, embora esteja classificada como criticamente ameaçada de extinção. Os principais registros de ocorrência incluem Gâmbia, Mali, Senegal, Sudão, Etiópia e Sudão do Sul. Também é avistada em savanas e planícies da Tanzânia, Quênia e Moçambique.

O status de conservação do grifo-de-Rüppell é preocupante. Entre os fatores que ameaçam sua sobrevivência estão a destruição do habitat, uso de pesticidas e a redução de presas naturais. A prática de envenenamento de carcaças como forma de retaliação por ataques de outros predadores também afeta diretamente essas aves.
Apesar das ameaças, a espécie ainda é monitorada por instituições de conservação. Algumas ações pontuais buscam mitigar os riscos e garantir a preservação de seu habitat, mas os números populacionais continuam em queda.
A principal habilidade que torna o grifo-de-Rüppell uma espécie única é sua capacidade de voar em altitudes extremas. A ave pode atingir até 11.300 metros acima do nível do mar. Em condições normais, ela voa a cerca de 6.000 metros, utilizando correntes térmicas para planar por várias horas.
A explicação para esse desempenho está no sangue da ave. Estudos publicados em revistas científicas identificaram uma variação na estrutura da hemoglobina do grifo, permitindo um transporte mais eficiente de oxigênio. Essa adaptação garante que a oxigenação dos tecidos ocorra mesmo com a baixa pressão do ar em grandes altitudes.
Além disso, a anatomia pulmonar do grifo-de-Rüppell permite que ele processe o oxigênio de forma mais eficaz do que outras aves de grande porte. Com isso, é possível permanecer voando por até sete horas seguidas em busca de alimento, cobrindo áreas extensas sem precisar aterrissar.
O conhecimento sobre a real capacidade de voo dessa ave só foi possível após um evento registrado em 1973. Na ocasião, um grifo-de-Rüppell colidiu com um avião comercial que voava a 11.300 metros de altitude sobre a Costa do Marfim. A aeronave foi forçada a um pouso de emergência.
Durante a inspeção do motor, foram encontrados restos da ave, incluindo penas, o que permitiu a identificação precisa da espécie. A partir disso, o grifo foi oficialmente reconhecido como a ave que alcançou a maior altitude de voo já registrada.
O acidente teve implicações importantes para a ciência. Ele revelou que aves podem alcançar zonas aéreas antes consideradas inóspitas para a maioria das espécies. Também gerou novos estudos sobre a fisiologia do voo em grandes altitudes e sobre como a aviação deve considerar a presença de aves em camadas elevadas da atmosfera.

Como necrófago, o grifo-de-Rüppell desempenha função essencial no controle sanitário dos ecossistemas. Ao consumir carcaças, evita a proliferação de doenças e reduz a emissão de gases provocados pela decomposição da matéria orgânica. Sua dieta se baseia em restos de grandes mamíferos, principalmente em áreas de savana.
O comportamento dessa ave é geralmente solitário durante o voo, mas ela pode formar grandes grupos em locais onde há disponibilidade de alimento. Os ninhos costumam ser construídos em regiões montanhosas ou em locais elevados, o que favorece o voo em corrente ascendente.
A espécie é discreta vocalmente, mas em situações de competição por alimento ou reprodução, emite sons audíveis. Durante a alimentação em carcaças, costuma competir com outras aves de rapina, utilizando seu porte e bico para se impor no grupo.
Fonte: Concursosnobrasil, Super, Concursosnobrasil, Tribunademinas e Birdspot.