O 11 de setembro de 2001 é lembrado como o dia em que os Estados Unidos sofreram o maior ataque terrorista de sua história. Dois aviões comerciais atingiram as torres do World Trade Center, em Nova York, um terceiro colidiu contra o Pentágono e um quarto caiu na Pensilvânia. Quase 3 mil pessoas morreram.
Pontos Principais:
Embora as imagens desse dia estejam presentes na memória coletiva global, as causas que levaram ao atentado são menos conhecidas. A história por trás da ação da Al-Qaeda envolve décadas de conflitos, disputas políticas, decisões estratégicas e movimentações militares no Oriente Médio.
A partir de uma análise cronológica e documental, é possível reconstruir o contexto que resultou no atentado. Isso inclui a trajetória de Osama Bin Laden, a criação da Al-Qaeda, as guerras no Golfo, a relação entre Estados Unidos e países islâmicos, e os desdobramentos posteriores do ataque.
Osama Bin Laden era filho de um milionário saudita e começou a ganhar notoriedade no fim da década de 1970, durante a ocupação soviética no Afeganistão. Lutando ao lado de grupos de resistência islâmicos, Bin Laden ajudou a organizar a resposta armada contra os soviéticos.
Esse movimento contou com apoio financeiro e militar indireto dos Estados Unidos, por meio da chamada Operação Ciclone, que visava enfraquecer a União Soviética durante a Guerra Fria. Após a retirada soviética em 1989, Bin Laden emergiu como uma figura respeitada entre os combatentes islâmicos.
No fim dos anos 1980, ele reuniu diferentes grupos e fundou a Al-Qaeda, organização que se propunha a defender o Islã contra influências ocidentais. A base ideológica do grupo combinava política, religião e uma forte oposição à presença de potências ocidentais no Oriente Médio.
Com o início da Guerra do Golfo, em 1990, os Estados Unidos lideraram uma coalizão para enfrentar o Iraque, que havia invadido o Kuwait. Bin Laden ofereceu ajuda ao governo saudita, propondo que a defesa do território fosse feita apenas por muçulmanos.
O governo saudita recusou a proposta e autorizou a presença militar americana. Isso provocou a ruptura definitiva de Bin Laden com a monarquia saudita, culminando em seu exílio no Sudão.
Durante esse período, Bin Laden passou a financiar e apoiar grupos extremistas, inclusive envolvidos em ações como a tentativa de assassinato do presidente do Egito. Sob pressão dos Estados Unidos, o governo sudanês expulsou Bin Laden, que então retornou ao Afeganistão em 1996.
A partir de 1996, Bin Laden emitiu dois decretos religiosos (fatwas) convocando a Jihad contra os Estados Unidos. Um deles exigia a retirada americana de territórios considerados sagrados pelo Islã. O outro autorizava a morte de americanos e judeus em qualquer lugar do mundo.
No mesmo período, a Al-Qaeda executou atentados contra embaixadas americanas no Quênia e na Tanzânia, em 1998, e contra um navio militar americano no Iêmen, em 2000. Esses ataques consolidaram Bin Laden como o principal nome do terrorismo internacional.
Apesar da crescente atenção ao nome de Bin Laden, os serviços de inteligência dos EUA não conseguiram prever com clareza o que viria. Relatórios alertavam para possíveis ações da Al-Qaeda, mas a gravidade e o formato dos planos não foram antecipados.
O atentado de 11 de setembro teve raízes em um plano anterior, chamado Operação Bojinka, elaborado em 1995 por Khalid Sheikh Mohammed. A proposta incluía o assassinato do Papa, a explosão de aviões comerciais e o ataque a alvos como a CIA, a Casa Branca e o World Trade Center.
Após a prisão de um dos envolvidos por acidente nas Filipinas, o plano foi abortado. No entanto, a ideia de usar aviões como armas foi preservada. Em 1996, Khalid levou essa proposta até Bin Laden, que decidiu retomá-la alguns anos depois.
A partir de então, a Al-Qaeda iniciou os preparativos para o ataque. Terroristas foram enviados aos Estados Unidos e matriculados em escolas de aviação. Embora a CIA tenha identificado alguns movimentos suspeitos, as informações não foram suficientes para evitar o ataque.
Na manhã de 11 de setembro de 2001, 19 terroristas sequestraram quatro aviões comerciais. Dois deles atingiram as torres gêmeas em Nova York. Um terceiro atingiu o Pentágono, sede do Departamento de Defesa americano. O quarto caiu em um campo na Pensilvânia após passageiros tentarem retomar o controle.
O atentado causou a morte de quase 3 mil pessoas. Além das perdas humanas, houve impactos econômicos, políticos e sociais em escala global. O ataque foi transmitido ao vivo para o mundo, marcando o início de uma nova fase nas relações internacionais.
O então presidente George W. Bush classificou o episódio como um ato de guerra e iniciou a chamada “Guerra ao Terror”. A resposta incluiu invasões militares, reformas em políticas de segurança e a intensificação do monitoramento internacional.
Ainda em 2001, os Estados Unidos invadiram o Afeganistão com o objetivo de derrubar o regime Talibã, que abrigava a Al-Qaeda. Bin Laden fugiu e se escondeu durante anos.
Em 2003, os EUA também invadiram o Iraque sob a alegação de que o país possuía armas de destruição em massa, o que nunca foi comprovado. A guerra derrubou o governo de Saddam Hussein, que foi preso e executado em 2006.
Essas intervenções geraram instabilidade na região, abriram espaço para novos grupos radicais e resultaram em milhares de mortes civis. O terrorismo não foi extinto e deu origem a novas ameaças, como o surgimento do Estado Islâmico.
Depois de uma década de buscas, Bin Laden foi localizado no Paquistão em 2011. Ele estava escondido em uma casa fortemente vigiada.
A operação que levou à sua morte foi conduzida por forças especiais dos EUA e recebeu o nome de Operação Lança de Netuno. Bin Laden foi morto em tiroteio, e seu corpo foi identificado pelas autoridades.
Segundo a versão oficial, o corpo foi lançado ao mar conforme costumes islâmicos. O objetivo era evitar que o local de seu enterro se tornasse ponto de veneração. A Al-Qaeda confirmou sua morte dias depois.
Apesar da morte de Bin Laden, o terrorismo não foi eliminado. O Estado Islâmico, surgido do braço iraquiano da Al-Qaeda, tornou-se uma nova ameaça com atuação em diversos países.
O radicalismo se manifesta pela intolerância, preconceito e uso distorcido da religião. Embora muitos associem o terrorismo ao Islã, a maioria das vítimas desses grupos é muçulmana.
Países como Síria, Afeganistão e Iraque concentram o maior número de mortos em atentados. O desafio global permanece: combater o extremismo sem ampliar ainda mais os conflitos.
Os atentados de 11 de setembro alteraram protocolos de segurança aérea, relações diplomáticas e a percepção mundial sobre terrorismo.
Dados de 2001 indicam cerca de 17 mil mortes por terrorismo no mundo. Em 2016, esse número havia dobrado, chegando a mais de 34 mil vítimas.
O tema continua sensível e presente nos debates internacionais. Estratégias de segurança, ações militares e diplomacia seguem em pauta, sem consenso sobre os melhores caminhos a seguir.
A história dos atentados de 11 de setembro mostra como ações radicais podem ser resultado de décadas de decisões políticas, disputas geopolíticas e tensões culturais.
A diversidade religiosa e ideológica é constantemente ameaçada por interpretações extremistas. O combate ao terrorismo exige atenção às causas estruturais e à promoção de diálogo.
A longo prazo, a superação da violência passa por políticas de inclusão, respeito às diferenças e uma abordagem que não reduza o Oriente Médio a um campo de batalha constante.
Fonte: Câmara dos Deputados, Wikipedia e Bbc.